8 mulheres que mudaram a história da corrida no Brasil

Nas ruas ou nas pistas, elas abriram espaço para o público feminino no esporte

Acervo pessoal \ Eleonora Mendonça

Hoje, o público feminino é maioria entre atletas que completam meia-maratona – uma das distâncias mais populares na corrida de rua – tanto nos EUA quanto aqui no Brasil. No ano passado, 42% dos participantes em corridas nacionais foram mulheres, segundo estudo realizado na USP.

Leia mais:

+ Fuja da fisioterapia, consulte um fisioterapeuta
+ Travis Barker, o baterista que trocou os vícios pela corrida

Porém, nem sempre foi assim. Em 2015, esse número era de 32%. Há três décadas, não havia tantas pesquisas sobre o assunto, mas o que relatam as corredoras de rua da época era uma grande maioria masculina, com elas como exceção.

Por conta da militância e de grandes resultados, atletas brasileiras foram decisivas para abrir as portas a mais mulheres no esporte. Veja a história de algumas delas aqui:

1ELEONORA MENDONÇA

No lugar certo e na hora certa: Eleonora Mendonça cursava mestrado em educação física nos EUA quando o boom da corrida se espalhava pelo país. O ano era 1972, e Frank Shorter havia sido o campeão da mara­tona na Olimpíada de Munique. Foi nesse cenário que Eleonora começou a correr.

Quando voltou ao Brasil, Eleonora encontrou um cenário oposto. A adesão à corrida de rua era baixa, especialmente entre as mulheres. Ela começou a disputar provas nacionais e internacionais represen­tando o Clube do Fluminense e o Brasil com recordes e medalhas, mas não parou por aí. Eleonora passou a organizar eventos de corrida no país, entre eles a 1ª Corrida Avon, em 1980, exclusiva para o público feminino. “Às mulheres, só faltava oportunidade. Quando as portas se abriram, elas vieram”, diz a atleta.

2ADRIANA APARECIDA

Dois ouros em Pan-A­mericanos (2011 e 2015) colocam Adriana Apa­recida entre as maiores maratonistas da história do país e do continente. Natural de Cruzeiro, no interior de São Paulo, a atleta já mostrava todo seu potencial logo aos 12 anos de idade, quando venceu uma prova de 5 km em sua cidade – momento em que des­cobriu o que queria fazer pelo resto da vida.

3CARMEM DE OLIVEIRA

Já faz 23 anos que nenhuma atleta brasileira consegue bater o recorde de Carmem de Oliveira obtido na Maratona de Boston (2h27min41), ela foi a primeira atleta a conquistar um sub-2h30 nos 42 km. Além disso, ela foi a primeira mulher do país a vencer a São Silvestre, em 1995.

Também ainda não apareceu nenhu­ma sul-americana mais rápida que Car­mem nos 5 km (seu recorde, de 1992, é 15min39), nos 10 km (tem 32min06, de 1993) e nos 15 km, em que fez 48min38 em 1994. Aposentada, ela torce para que seus recordes sejam batidos.

4ROSELI MACHADO

Foi uma surpresa geral quando Roseli Machado se tornou a se­gunda brasileira a vencer a Corrida de São Silvestre em 1996 – até então, a corredora havia ganhado duas corridas de rua nos EUA, mas não era apontada entre as favoritas para a tradicional prova paulistana. Se a ascensão da atleta criada no interior do Paraná foi meteórica, também foi sua queda: por conta de uma lesão no quadril e um erro médico na cirurgia, ela teve de abandonar a carreira precocemente.

5SORAYA VIEIRA TELLES

Um ano antes de figurar na delega­ção brasileira para os Jogos Olímpi­cos de Seul, em 1988, Soraya Vieira Telles foi a primeira sul-americana a correr os 800m em menos de dois minutos. Se dentro das pistas ela fez história, Soraya continua contribuin­do para a corrida de outras formas. Ela coordenou um projeto que levava crianças da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, para o atletismo, e sua dedicação ao esporte foi reconheci­da pelo Comitê Olímpico, que a no­meou para carregar a tocha olímpica antes dos Jogos do Rio, em 2016.

6ELIANA REINERT

A catarinense Eliana Reinert se tornou corredora profissional em 1978, aos 20 anos, e acumula conquistas expressivas na carreira, como o 1º lugar na Maratona do Rio de Janeiro, em 1987, e a melhor marca sul-americana entre as mu­lheres na Maratona de Nova York de 1995. Como assessora de corri­da do Projeto Correr há quase três décadas, ela dá enfoque especial ao público feminino que, segundo ela, vem superando concepções antigas de que não teria a capaci­dade de correr provas longas.

7ANA LUIZA DOS ANJOS GARCEZ

Uma das principais corredoras master do Brasil, a especialista em meias ma­ratonas Ana Luiza dos Anjos Garcez, a “Animal” fez da corrida um instrumen­to de superação. Ela morou por 18 anos nas ruas e sofreu diversos tipos de abuso. Começou a “praticar” corrida fugindo da polícia quando usava e vendia drogas e chegou a completar uma maratona apenas para provar que conseguia. Sua história chamou a atenção de um programa de incentivo à prática de esportes da prefeitura de São Paulo, que a colo­cou no caminho das corridas de rua.

8MARCIA NARLOCH

Medalhista de ouro no Pan 2003, Marcia Narloch dedicou 25 anos de sua vida à corrida de rua e se tornou uma das principais ma­ratonistas da história do esporte no Brasil. Três vezes vencedora da Maratona de São Paulo, a atleta conviveu com algumas lesões que a fizeram se despedir da carreira depois da prova de 42 km do Pan-Americano de 2007 – ocasião em que, com dores desde o Km 15, conseguiu a medalha de prata por conta da extrema força de vontade.

COMPARTILHAR
  • Carlão Dos Santos

    A marca da Carmen em Boston não é mais recorde brasileiro, porque depois que correram em Boston para 2h03min02s e 2h03min06s em 2011, tiveram que “abrir os olhos” e ver que o percurso não condizia com as regras. É de ponto a ponto e tem um desnível de 136 m. A largada não pode estar mais que 21 km da chegada e o desnível é de no máximo 0,1%(42m).
    Adriana é a recordista com 2h29min17s que fez no Japão em 2012.