Autor de ‘A culpa é das estrelas’ usa a corrida como meditação

John Green diz que correr o ajudou a terminar livro em que estava parado por seis anos

Entrevista a Dana Meltzer Zepeda

Comecei a correr quando fiquei noivo, em 2006, porque queria ser mais saudável. No primei­ro treino talvez tenha corrido 200m. Ao longo de um ano em Nova York, cheguei a conseguir dar duas voltas (de 2,5 km) em torno do lago do Central Park. Agora corro de 6 a 10 km, três ou quatro vezes por semana, e faço um longo aos sábados.

Às vezes você vê pessoas cor­rendo e parece que elas nasceram para isso, parecem gazelas. Minhas passadas são pesadas, meu ritmo é irregular, meus tendões, encurtados, e meus passos, cur­tos. Quando estou correndo, não parece que nasci para isso. Mas eu desfruto da corrida.

Correr é um pouco como escre­ver. Muitos dizem que não des­frutam do ato de escrever, mas, sim, de ter escrito. É mais ou me­nos como me sinto com a corrida.

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Depois de anos dizendo “não tenho tempo para fazer esporte”, é interessante ver que foi exata­mente no ano em que me exerci­tei todos os dias que terminei um livro que não havia sido capaz de terminar ao longo dos seis anos anteriores. Não acho que seja coincidência.

Às vezes escuto outros amigos escritores dizerem que costu­mam ter ideias de enredo ou de diálogos enquanto correm. Essa não tem sido, de forma alguma, a minha experiência. Uma das coi­sas que me faz gostar de correr é que me dá um descanso de pen­sar sobre a história.

Sei que alguns corredores não ouvem música porque se supõe que você deve escutar suas pas­sadas. Mas, meu Deus, para mim isso é impensável. Eu amo escutar música correndo porque me per­mite sair do ar. Sou especialmente fã de Missy Elliott, The Mountain Goats. E sempre haverá um pouco de Johnny Cash, Leonard Cohen, Tegan and Sara e Eve – uma das rappers mais subestimadas.

E aprendi que, se corro com re­gularidade, os benefícios men­tais são enormes. Tenho espirais de pensamentos obsessivos dos quais não posso sair, e psiquia­tras me disseram que praticar exercícios regularmente podia ajudar meu transtorno obsessivo compulsivo. Correr me deixa em um estado meditativo. Sinto que me dá uma trégua daqueles pen­samentos intrusivos e torna tudo muito mais controlável.

A corrida perfeita é quando, nos últimos 800m, já no caminho de volta para casa, sinto aquele êxtase e aumento a velocidade. Embora corra por diversão, cur­to essa sensação. Se posso correr 8 km em 45 minutos, eu me sinto simplesmente ótimo.

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