Cabeça de atleta

Nos momentos de crise, a corrida é uma grande aliada para manter o foco e vencer o estresse

Ilustração: Vinicius Capiotti.

Por Lelo Apovian*

A esta altura do campeonato, ela já bateu na porta de quase todo mundo. É bem mais cruel com quem ganha menos, mas a crise abala de assalariados a empresariado. Aqueles que não perderam o emprego vivem na corda bamba emocional. E quem administra desenvolveu uma nova habilidade: fazer mágica para a conta fechar.

Conversei com amigos, empresários e executivos que treinam como se fossem atletas profissionais e trabalham não menos que oito horas por dia. Para todos eles, há um remédio para lidar com essa pressão exacerbada: o esporte. É barato, simples, quase sempre sem contraindicações e traz como efeitos colaterais uma tremenda sensação de bem-estar, perda de gordura corporal, aumento da autoestima, equilíbrio emocional e estabilidade no estresse.

Roberto Nascimento, empresário do mercado imobiliário, maratonista e triatleta, já passou por vários altos e baixos na vida – nada muito diferente do que o experimentando por 99,99% da população com mais de 40 anos (só não cravo 100% porque 0,01% sempre está mentindo). Mas foi o esporte que muitas vezes fez sua vida ficar mais leve, apesar de todos os problemas e da pressão típica do mundo corporativo. Com os treinos, a cabeça do Roberto ficou mais tranquila e o foco aumentou, assim como sua capacidade de evoluir no trabalho e no esporte. E assim ele foi o melhor brasileiro no Ironman do Havaí de 2004. Roberto se destacou em uma prova que por si só já é sinônimo de superação: são 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. Segundo ele, quando se está em paz, tudo conspira a favor.

Já o executivo Octavio Fernandes ficou um tempo sem trabalhar e decidiu que aproveitaria essa fase para evoluir como corredor. Foi sua maneira de transformar um momento de adversidade em uma oportunidade. Durante esse período, treinou pesado e correu algumas maratonas. Foi na assessoria de corrida na qual Octavio treina que surgiu o convite para trabalhar no Grupo Latam. Hoje ele vive e trabalha no Chile, onde ocupa o cargo de diretor global da empresa – graças ao networking dos treinos no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e nos longões da USP.

Quando a vida pessoal ou profissional sair dos eixos, é momento de parar, rever o planejamento, analisar o que está dando errado, mas sempre com o esporte na agenda para manter a cabeça arejada. Quem tem a corrida como grande aliada sempre encontra motivos para treinar e comemorar. Tanto na alegria como na tristeza, o importante é fazer o que se ama para manter a cabeça funcionando e ter clareza de raciocínio para tomar as decisões corretas. Sabe aquela situação que parece sem solução? Não é nada que uns bons treinos de corrida e um pouco de tempo não resolvam.

*Executivo, ex-atleta olímpico e maratonista amador com 2h36min29

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