Começando os treinos para a maratona

Anita conta como foi a preparação inicial para sua primeira maratona

Foto: shutterstock.

O começo da periodização foi bastante turbulento para mim. Como decidi fazer a maratona em novembro de 2014 – e a corrida seria apenas em setembro do ano seguinte -, já entrei no clima da prova desde esta data, apesar de ser cedo para me preocupar com treinos e consolidação de volumes. Mas como sou ansiosa e desesperada, já estava “vestindo a camisa” e com foco total.

Quando escolhemos fazer uma prova desse porte com certa antecedência, é muito importante que seu técnico tenha a percepção de com quem ele está lidando e como controlar essa ansiedade, pois naturalmente entramos no clima e, se não bem assessorados, podemos errar a mão e pagarmos um preço alto por isso.

Como disse antes, a meia maratona é minha grande paixão, então fiquei focada em dois objetivos iniciais: baixar meu tempo e transformar os 21km em uma quilometragem habitual de treinos e confortável, como quem diz “vou sair para dar uma corridinha” – e essa corridinha é geralmente de 5 a 10km.

Diminuir tempo de meia maratona é o sonho de todo corredor, não tem prazer maior que você diminuir 2 ou 3 minutos de uma prova para outra. Parece pouco quando se diz 2 ou 3 minutos, mas é bastante quando estamos correndo, e o esforço que fazemos é enorme. Mas a cada treino, a cada melhora de pace, e conforme seu corpo se transforma e se adapta, aquilo vai ficando mais prazeroso e excitante.

Leia a primeira parte do texto em:

Que prova fazer?

A maioria dos meus treinos de finais de semana são feitos na USP, minha assessoria esportiva tem um ponto de apoio muito bem localizado, que permite explorarmos aquela universidade em voltas não tão longas. A USP é enorme, mas a maioria dos atletas correm na Raia, na Politécnica e treinam as subidas no famoso Matão, que é chamado por alguns de o “morro da morte”, pois a subida é muito íngreme e relativamente longa, deve ter em torno de 1km.

Mas, para todo o processo, esses treinos são fundamentais e devem estar ligados a uma musculação bem elaborada por um profissional e que seja voltada para corredores. Depois de um certo período fazendo musculação e esses treinos, parece que o “morro da morte” nem é tão da morte.

Mais:

+ Planilha para a maratona

Eu nunca gostei de musculação, mas sempre a fiz porque meus professores dizem ser fundamental para qualquer atleta. Mas quem ama exercícios de estímulos cardiovasculares acaba que não curtindo levantar pesos, saltar, fazer agachamentos, alongamentos e fortalecimento com séries que até parecem ridículas. Mas, mesmo assim, faça musculação e esteja sempre orientado por um bom profissional, onde você pode especificar seu objetivo final e que possa acompanhá-lo durante todo o período para não ter problemas mais graves.

Depois de toda essa mudança de hábito, foco e já com o plano desenvolvido, é hora de começar os treinos focados na maratona, que ocorrem geralmente de 12 a 16 semanas antes da prova. E esse tempo é mais que suficiente para a periodização e consolidação dos treinos de volume, e também é o período em que você vai se conhecer cada vez mais e realmente começar a mudar sua vida.

No próximo post, falarei sobre isso. Até!

A engenheira agrônoma Anita tem 29 anos, começou a correr em 2012 e já fez mais de 25 provas, dos 5 aos 42 km. Tem 22min01 nos 5 km, 45min59 nos 10 km, 1h43 nos 21 km e 3h58 nos 42 km, mas garante: “A corrida para mim não é apenas bater tempos. É uma relação espiritual”.

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