Comer pra correr

Quando fui convidada a fazer parte do time de colunistas do site da Runner’s (o que foi um extremo privilégio), fiquei pensando o que seria interessante escrever para os leitores do site. Acho que para começarmos esta sequência de bate papos mensais, nada melhor do que o tema “Comer para Correr”, que acabou virando inclusive o nome deste nosso espaço!

Aqui teremos um espaço de boas discussões sobre nutrição, o que está na moda, vamos desvendar mitos e verdades para ajudar vocês no dia a dia dos treinos, sempre com muita consciência, com base em estudos científicos e não em “achismos de internet”.

Então hoje quero começar a conversar com vocês sobre a qualidade das nossas refeições do dia a dia, que tem um grande impacto sim nos nossos treinos e na nossa vida.

Tão importante como uma refeição pré e pós treino é a manutenção da qualidade das suas refeições no seu dia-a-dia. Comer bem apenas antes e depois de treinar e não manter uma boa alimentação ao longo do dia pode ser uma furada para a sua recuperação muscular. Aqui nem estou falando de comer ou não a cada 3 horas (o que hoje já é questionável dependendo dos seus objetivos), mas sim comer com qualidade.

Hoje em dia, com nossa falta de tempo, é muito mais fácil abrir um pacote do que descascar uma fruta. O problema disso é que uma vitamina que foi adicionada a uma bolacha (ou biscoito! Rs) não é de longe a mesma vitamina encontrada em um legume ou fruta. A natureza é sabia e sabe fazer os alimentos da forma mais perfeita, com o equilíbrio adequado entre cada nutriente. Então, mesmo você olhando lá no rótulo daquele produto industrializado escrito “vitamina C 100mg”, não é a mesma coisa que comer 100mg de vitamina C de um morango. Nosso corpo consegue aproveitar e utilizar muito melhor as vitaminas e minerais encontrados na natureza do que algo “sintético”.

Não quero aqui fazer terrorismo nutricional de não comer nada industrializado nunca e nem estou pedindo pra você morar numa fazenda e plantar sua própria comida, mas sim retirarmos o excesso de industrializados das nossas vidas, que ao longo do tempo foi invadindo nossas casas e, sem percebermos, virou parte da nossa rotina. Começamos inconscientemente a substituir quase todas nossas refeições por estes tipos de alimentos e assim fomos perdendo em qualidade nutricional.

Sugiro que você faça um diário de sua alimentação de uma semana (coloque em um papel todas as refeições que consome) e visualize o quanto de industrializados está comendo. Que tal começar a trocar aquela barrinha da tarde por uma fruta ou um mix de castanhas? Que tal trocar seu suco em pó por uma polpa congelada ou uma fruta? Que tal começar a trocar seu tempero pronto por alho e cebola?

Vamos procurar comer mais comida de verdade, ir mais a feiras, comprar mais alimentos que estragam rápido (depois vamos conversar como tornar isso prático na nossa rotina) e reduzir o excesso de códigos de barras da sua despensa.

Acho que temos muito o que conversar a partir de agora!

liviaLivia Hasegawa é nutricionista pela USP, com especialização em fisiologia do exercício pela Unifesp, nutrição clínica funcional pela VP Consultoria Nutricional e pós graduanda em fitoterapia funcional. Desde 2007, atua em consultório particular e atende atleta amadores, profissionais e pessoas em busca de mais saúde, qualidade de vida e uma relação mais harmoniosa com a comida

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