Escutar muito e falar pouco

Parece algo fácil, mas poucos executam com inteligência

Foto: shutterstock.

Por Lelo Apovian

Trabalho com recursos humanos há mais de dez anos. Nesse período, acredito ter entrevistado mais de 3.000 pessoas de diversas áreas e níveis hierárquicos. Graças a essas pessoas e aos clientes que me acompanham há tantos anos, pude diagnosticar algo que parece simples, mas não é. Devemos escutar mais e falar menos.

Em uma entrevista de emprego, a estratégia de quem está entrevistando é fazer perguntas abertas, generalistas. “Como você faria para resolver tal problema?” “Em uma situação de conflito, o que você faria?” Perguntas abertas dão margem a respostas muito diversas e, dependendo do que vier, o candidato tem ou não o perfil adequado para a vaga.

Muitas vezes encontro profissionais que, na vontade de mostrar conhecimento, atropelam o entrevistador e despejam conteúdo desnecessário ou que até atrapalham o andamento de uma boa entrevista. Gestores também precisam tomar cuidado: quem lidera pessoas tem uma responsabilidade ainda maior com as palavras. A força do poder e da razão é bastante sedutora.

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Abordo esse tema porque vejo com muita frequência amigos que estão se programando para correr uma prova de 10 km ou mesmo uma maratona questionando a planilha e a metodologia do treinador. Se você não confia e ouve o seu treinador, é hora de repensar o vínculo entre vocês. Quando você perdeu a confiança no seu chefe, é preciso mudar – seja de emprego ou de treinador.

Não são poucas as pessoas que alteram a planilha que foi passada. Quantas vezes vi (confesso que já fiz muito também) amigos mudarem os treinos ou a estratégia de alimentação ou hidratação na véspera de prova porque ouviram uma nova dica de um treinador ou amigo.

A escolha de um emprego ou de um treinador passa muitas vezes pela indicação de um amigo ou por referências positivas que o mercado precifica automaticamente quando a pessoa entrega resultado. Também conta muito a empatia que foi estabelecida entre as pessoas. Quando essa confiança se rompe, é hora de mudar. O treinador de corrida deve ser escutado e respeitado. Se você contratou uma assessoria para lhe ajudar, é porque essa empresa tem as credenciais para isso. Você deve ter pesquisado sobre eles, correto?

Mantenha o foco no seu objetivo, que é treinar e dar o seu melhor na prova. Não podemos ser treinador e corredor ao mesmo tempo. Cada macaco no seu galho. Além disso, quando pegar dicas com amigos, ouça muito, absorva o que acha que faz sentido para você e descarte aquilo em que não acredita, mas jamais questione o trabalho ao qual você está sendo submetido. E não se esqueça: escute muito e fale menos.

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  • Flavio Neves

    Excelente texto, devemos valorizar o esforço tanto do atleta quanto do treinador. Só acho que o questionar no sentido de tirar dúvidas, esclarecer, melhorar a prática é essencial, mesmo que seja para rever determinada prescrição que você não se sente preparado. Da mesma forma que acho totalmente equivocado mudar a planilha sem conversar com o treinador.