A mecânica da corrida é diferente na esteira?

A percepção dos seus sentidos pode ser diferente, mas, em termos físicos, correr na esteira é igual a correr no chão

Curto e grosso. Não!

Correr sobre o chão ou o chão correr sob você, em termos físicos, é exatamente a mesma coisa! Numa situação o chão está parado e você, correndo sobre ele, se desloca no ambiente. Na outra, o chão corre para trás e você, ao correr, fica parado no ambiente.

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E justamente isso que nos dá uma sensação de que é diferente. Usamos basicamente três sentidos para perceber nossos movimentos no espaço. A visão, o labirinto e a sensibilidade dos músculos e articulações que chamamos de propriocepção.

No chão, os três sensores nos informam que estamos nos deslocando para frente. Na esteira, a visão e o labirinto nos informam que estamos parados (apenas pulando um pouquinho), enquanto nossa propriocepção nos informa que estamos corrrendo. Este desencontro de informações confunde um pouco o sistema nervoso e faz com que algumas pessoas (eu inclusive) fiquem tontas ao correr na esteira.

Alguns estudos mostram que as pessoas correm de forma diferente na esteira e no chão. Mas isso não se justifica mecanicamente. Isso acaba acontecendo justamente por conta dessa percepção diferente do movimento.

Já ouvi bastante que correr na esteira é diferente porque basta saltar para cima que a esteira corre embaixo de você. Pois olhe bem o vídeo. No início, quando apenas salto para cima, eu me desloco para trás junto com a esteira. Se eu quiser ficar parado no lugar tenho que correr para frente na exata velocidade da esteira. Ou, o que fiz no vídeo, correr mais rápido que ela para poder me deslocar para frente.

Foto: arquivo pessoal.

Cássio Siqueira é supervisor de fisioterapia do esporte do curso de fisioterapia da USP e fisioterapeuta da Care Club, onde trabalha com reeducação funcional de corredores. É formado em fisioterapia na USP, com especialização em fisioterapia no esporte e fisioterapia em neurologia, mestre e doutorando em ciências da reabilitação também pela USP.

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