Meu filho autista é a melhor companhia para corridas

Aos 22 anos, Garrett corre desde os 15, mas rejeita o rótulo de “corredor”

Foto: Alessandra Gardner \ RW EUA

Por Renne Gardner

Enchendo as garrafas d’água e amarrando os cadarços dos tênis, Garrett me pergunta: “E onde vamos comer depois?” – pergunta que ouço antes de todas as corridas.

“De quem é a vez de escolher?”, respondo. Garrett para, e eu sei que ele está desejando que fosse sua vez. Quando eu escolho um lugar para comer depois da corrida, tende a servir comida saudável.

Comida sempre ocupa os pensamentos de Garrett. Se não houvesse nenhuma refeição envolvida, seria difícil tirá-lo de casa para uma corrida. Mas temos treinado regularmente – e comido bastante – desde que ele tem 15 anos de idade.

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Garrett é hoje em dia um jovem de 22 anos. Ele é meu filho e é autista. Diz que odeia correr, mas gosta de passar tempo com o pai. Eu tenho achado, porém, que ele gosta ainda mais de pizzas, tacos e hambúrgueres.

Além de correr com o pai, Garrett é voluntário em um asilo, ajudando residentes em cadeiras de rodas em suas atividades do dia-a-dia. Ele formou-se em um colégio no sul da Califórnia, nos EUA, e, embora leia normalmente, a matemática ainda é um mistério. O jovem também tem problema com direções e caminhos, é sensível a barulhos muito altos e não tem muitas habilidades sociais.

Mas, ao conhecê-lo da primeira vez, provavelmente não saberia que ele é autista. Depois de passar algumas horas com ele, perceberá algo de diferente quando ele passar um longo tempo concentrado em um papel dobrado. Ou vai acabar ouvindo tudo e mais um pouco sobre o novo lançamento da Nintendo, ou falas se super-heróis de cinema que ele sabe de cor – e a maioria das pessoas tem apenas uma vaga memória.

Apesar de ele resistir ao rótulo de “corredor”, é assim que eu o chamo. Já corremos dúzias de meias maratonas e outras provas mais curtas. “Não é só porque você gosta de corrida que eu gosto também, pai”, ele diz. “Não sou um corredor”. De fato, ele não se parece um corredor típico: quando ele corre, sua cabeça chacoalha para os lados. Também diferencia o fato que ele fala mais do que a maioria dos corredores. Ele vai usar e abusar do seu ouvido quando o assunto é videogame ou comida.

Fora isso, passe um tempo com Garrett e verá nele um verdadeiro corredor. Ele cumprimenta outros corredores, ri de alguma piada boba, conta uma piada boba, reclama da distância até o topo da colina, tenta consertar os problemas do mundo, aproveita o ar livre e, quando com fome, come tudo o que vê pela frente.

Bem, igual a todo corredor que eu conheço.

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  • nay andrade

    que lindo ver a cumplicidade de pai e filho , espero que o meu filho e o meu esposo tbm sejam assim .. Tbm sou mãe de uma criança autista ..