Como estou me preparando para a Maratona de Berlim

Acompanhe o treinamento de Andrea Estevam para quebrar seu RP

Créditos: Izf/Shutterstock

 Puxando o freio: como nossa diretora de conteúdo está se preparando para a maratona em que pretende quebrar seu recorde pessoal

Por Andrea Estevam, em busca do seu RP com a Adidas Brasil

Durante minha preparação para a Maratona de Nova York, em 2017, transformei a planilha passada pelo meu treinador João Bellini em um diário.

Assim, embaixo de cada treino prescrito, anotei tempo, distância, local e ritmo médio. Eu estava fazendo todos os treinos sozinha.

Então essa era uma forma de eu acompanhar minha evolução – e também uma espécie de souvenir daquelas semanas de dedicação.

Na época, fiz os longos em ritmo superconfortável, ouvindo até áudio livros em alguns (ou seja, totalmente distraída), movendo as pernas meio zumbi até cumprir a distância. Afinal, eu só queria terminar meus primeiros 42 km.

Quando decidir ir pra Berlim buscar um tempo melhor, João Bellini tinha acabado de se tornar pai, e eu não quis abusar da amizade pedindo outra planilha.

Por isso, resgatei esse diário e pensei: “Vou fazer tudo igual, só que mais rápido”. Na minha cabeça, eu só precisava buscar nos treinos um ritmo mais firme para que meu corpo aprendesse a ser mais veloz no dia da prova.

E foi isso que fiz ao longo de seis semanas. Foram longos concentrados, pensando nas ruas de Berlim, em controlar a respiração, em empurrar o chão.

Ao fim de cada treino, preenchia mais uma linha daquela mesma planilha, comparando com o desempenho do ano anterior.

E estava animador: melhorei meus tempos em todos os treinos. Chegava dos longos semidestruída, mas o número que ia pra planilha era lindo e ótimo pro ego.

Mudando o treinamento

“Longo de 26km com ritmo de 5min30/km, nada mal hein?”, eu dizia para mim mesma com um tapinha nas costas. Mas no fundo, suspeitava que não estava treinando de forma inteligente.

Sabia que podia me lesionar, e lembrava das tantas vezes em que falamos na Runner’s sobre a importância dos treinos em ritmo mais lento. Porque eles criam mitocôndrias, desenvolvem mais capilares e tornam o coração mais eficiente.

Daí rolou a parceria com a Adidas para este sonho/desafio. Em uma reunião, falei meio rindo do meu “método” de treino.

Eles me sugeriram/ofereceram então que batesse um papo com algum treinador da MPR, assessoria super especializada em corridas de rua, parceira da marca e que está treinando todos os convidados da Adidas para Berlim.

Logo na primeira conversa com Cesar Oliveira, o treinador da MPR que me foi designado, ele já se mostrou meio reticente. “Não é uma boa ideia misturar volume e intensidade. É como se você estivesse correndo uma prova a cada longo”.

E assim “ganhei” esta semana de descanso, com treinos mais leves, para deixar o corpo se recuperar.

Um giro de 50 minutos a 6min/km na segunda-feira, um ritmado na 4a (que fiz tudo errado, “brigando” com o GPS, mas calma que eu aprendo), um giro leve na sexta e um longuinho de 1h45 no sábado, que farei amanhã sem bufar, sem forçar.

As pernas estão agradecendo. Acho que vão me retribuir o favor quando eu voltar a precisar delas.

Maratona de Berlim

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