Sua filha morreu, mas o coração ainda bate – e corre maratona

Fred Miller vai correr lado a lado com a mulher que recebeu o órgão de sua filha

Shae Brown e Fred Miller (imagens cedidas pelos corredores)

Por Cindy Kuzma

Fred Miller e Shae Brown não se conheciam até ano passado, mas hoje se consideram família. Quando Alyssa, filha de Miller, morreu em 2013, Shae recebeu seu coração. Em outubro, ambos correrão juntos a Maratona de Chicago – a 11ª dele e primeira dela.

“Quando conheci Shae, ela me disse que gostaria muito de correr uma Maratona”, diz Miller, médico norte-americano de 62 anos. “Eu disse que se ela estivesse falando sério, eu me juntaria”. Segundo ele, é preciso ser uma “pessoa incrível” para buscar um desafio como este depois de um transplante de coração.

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“As pessoas acham que eu sou a mulher biônica”, diz Shae, que tem 49 anos e é dentista no Texas. “Sou tão grata por ter tido uma segunda chance na vida, que faço de tudo para ser saudável”. Ela foi diagnosticada com câncer aos 16 anos de idade, e um dos efeitos colaterais da quimioterapia acabou danificando seu coração original.

Ela sobreviveu ao câncer, mas, com o passar do tempo, sua força foi se esvaindo. Shae sempre gostou de atividades aeróbicas e treinos em grupo. Só que o seu coração foi apresentando fraquezas, e os médicos lhe recomendaram evitar esforços.

Ela passou 14 meses na lista de espera por uma doação de coração, entre 2012 e 2013. No dia 20 de maio, Alyssa morreu aos 24 anos de idade. “Foi iniciativa dela tornar-se doadora de órgãos”, diz Miller. “Ela esteve doente por algum tempo”, conta o pai, que preferiu preservar os detalhes do mal que a filha sofria.

Depois de dois anos do transplante, Shae encontrou a força emocional para entrar em contato com a família de sua doadora. Ela enviou uma carta contando sua luta contra a doença e sua dificuldade para sequer andar de bicicleta por alguns minutos. Segundo a dentista, poucos meses depois do transplante ela já conseguiu dar um passeio com o marido sem perder o fôlego, algo que não acontecia há pelo menos 20 anos.

Tocado pela carta, Miller decidiu se encontrar com Shae. Quando ela lhe contou sobre o objetivo de correr uma maratona, o médico – que havia abandonado as longas distâncias desde 2010 – se viu tentado pela oportunidade de correr lado ao lado do coração da filha.

Apesar de já ter completado dez maratonas, Miller não sabe o que esperar desta vez. “Quero terminar. E torço para que, por um momento, eu sinta que estamos lado a lado de novo”, diz.

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