Travis Barker, o baterista que trocou os vícios pela corrida

Músico do Blink-182 sofreu acidente de avião em 2008. Desde então, está sóbrio e tornou-se um corredor

Travis Barker, 41, é baterista do Blink-182, banda californiana de punk rock de sucesso nos anos 2000

Eu saí para fazer minha pri­meira corrida “séria” no dia em que soube que minha ex-mulher estava grávida do Landon. Eu voltei para casa, depois de sair do consultório médico, e corri para a pista expressa, que ficava a 6,5 km de distância. Corri todos os dias até meu filho nascer. Eu ia ser responsável por uma pessoa, passaria a ser um modelo.

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Quando o avião em que eu es­tava caiu [em 2008], 65% do meu corpo foi queimado, e meu pé direito quase foi amputado. Os médicos me disseram: “Você pro­vavelmente nunca mais poderá correr e talvez não consiga tocar bateria de novo”. E essas duas coisas passaram a ser um desafio para mim. Quando reaprendi a andar, no hospital, as primeiras coisas que eu quis fazer foram to­car bateria e correr.

Seis a oito meses após o aci­dente, eu já estava correndo. Foi como um sinal: outra chance para melhorar minha vida. Eu não fico bem quando não corro. É como fazer uma refeição. Preciso disso todos os dias.

Eu não pego avião, então, quando estou em turnê, fico de 10 a 12 horas no ônibus. Às vezes, quando o motorista faz uma pa­rada para abastecer, pergunto: “Você vai seguir em que direção? Vou começar a correr, então a gente se encontra lá na frente!”.

Mesmo no estúdio, se eu tenho um período de folga, não consigo simplesmente ficar sentado. Di­zem que “ficar sentado é o novo câncer”, e eu concordo.

A parte mais legal de estar em turnê é correr na escadaria dos estádios e das arenas. Fica tudo tão quieto depois da passagem de som. Seis horas mais tarde, a are­na vai lotar, com 20 mil a 30 mil jovens gritando.

As pessoas não entendem quando eu digo que corro sem música. Mas quando estou no estúdio o dia todo, trabalhando e ouvindo música, às vezes só que­ro me desligar durante a corrida.

Estou sóbrio desde o acidente e substituí todos os meus vícios ruins por vícios bons. Agora eu me “intoxico” com a corrida.

Eu simplesmente amo correr. Com a corrida, sinto que posso su­perar qualquer coisa. Nunca fico esgotado após meses na estrada. Nunca fico cansado quando es­tou com meus dois filhos. E muito disso eu devo à corrida.

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