Trump fala em “países de merda”, e atletas africanos se manifestam

Após declaração sobre imigrantes, corredores que se mudaram para os EUA se disseram orgulhosos de seu continente original

Por Erin Strout

Na última quinta-feira, em uma reunião entre deputados e o presidente dos EUA Donald Trump, este questionou: “por que estamos deixando todas essas pessoas de países de merda virem para cá?”. A declaração referiu-se a imigração vinda do Haiti, El Salvador e diversos países do continente africano, e reverberou no mundo todo por seu conteúdo racista e inapropriado.

Em resposta, diversos atletas que vieram de países da África e se estabeleceram nos EUA – em alguns casos, representando o país na corrida e obtendo resultados significativos – se manifestaram com repúdio.

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O primeiro deles foi Bernard Lagat, queniano que participou de cinco jogos olímpicos e tornou-se cidadão norte-americano em 2004. “Sou um filho orgulhoso do continente brilhante chamado África. África NÃO é um ‘lugar de merda’, sr. Trump”, twittou o corredor.

Lopez Lomong, que representou os EUA em duas provas olímpicas (1500m e 5000m) e foi porta-bandeiras da delegação norte-americana em 2008, evitou criticar abertamente o presidente. “Eu descobri que posso contribuir com este país através da corrida. Pela graça de Deus consegui chegar à equipe olímpica e os atletas votaram em mim para levar a bandeira. Isso prova que este país é para todos e não importa se você é um refugiado”.

Lomong carrega bandeira dos EUA na abertura das Olimpíadas.

Lomong foi sequestrado de seus pais aos seis anos de idade durante guerra civil no Sudão e levado para um campo controlado pela milícia local. Ele escapou para o Quênia correndo noite e dia, onde ficou 10 anos em um campo de refugiados até conseguir uma família hospedeira nos EUA.

Meb Keflezighi, medalhista de prata pelos EUA na Maratona das Olimpíadas de Atenas, em 2004, disse que os comentários de Donald Trump foram vulgares e decepcionantes, embora não surpreendentes. “É uma vergonha ouvir esta palavra porque somos humanos, e não há nada de humanitário em falar assim. É uma desgraça. Pessoas vêm aqui para ter um teto onde morar e ter a oportunidade de ser autossuficientes”.

Keflezighi é um refugiado da Eritreia, que chegou nos EUA aos 12 anos de idade sem conhecimento da língua inglesa. Através da corrida, chegou até uma bolsa escolar na Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Não quero me prolongar, mas ele (Trump) fez coisas ruins em relação à imigração, às religiões, às mulheres, e a lista continua. Por isso não fico surpreso”, resumiu Keflezighi.

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