Tudo o que você precisa saber sobre fratura por estresse

Por Georgia Scarr, da Runner's World UK

fratura por estresse
Foto: Shutterstock

De todas as lesões, tem uma que sempre causa medo aos corredores: a fratura por estresse. Uma lesão dolorosa que surge aparentemente do nada, a fratura por estresse pode te deixar longe da corrida por algum tempo.

Mas o que é uma fratura por estresse e como você pode evitar uma? Aqui está tudo o que você precisa saber sobre esse ferimento assustador.

O que é uma fratura por estresse?

Uma fratura por estresse é uma pequena rachadura ou hematoma no osso. Eles são uma lesão por excesso de uso relativamente comum nos corredores. E em mais de 80% dos casos, acontece nas pernas dos afetados. “Eles ocorrem quando os músculos ficam fatigados e são incapazes de absorver o choque adicional. Eventualmente, o músculo fatigado transfere a sobrecarga de estresse para o osso, causando uma pequena rachadura chamada fratura por estresse”, de acordo com o Dr. Matthew Oliver, Consultor de Trauma e Cirurgião Ortopédico do Benenden Hospital, na Inglaterra.

De acordo com a American Academy of Orthopaedic Surgeons, “as fraturas por estresse ocorrem mais frequentemente no segundo e terceiro metatarsos no pé, que são mais finos (e frequentemente mais longos) que o primeiro metatarsal adjacente. Esta é a área de maior impacto no seu pé quando você se movimenta ou corre.”

As fraturas por estresse também são comuns no calcanhar, no tornozelo e no mediopé.

Quais são as causas da fratura por estresse?

Uso excessivo:

Ao contrário de uma queda, uma fratura por estresse geralmente se desenvolve com o tempo. A força repetitiva da corrida causa danos microscópicos ao osso. Se não houver tempo suficiente para que eles se recuperem, pode ocorrer uma fratura por estresse.

Fraturas por estresse geralmente são resultado de fazer muito, muito cedo, sem que o corpo tenha tempo suficiente para se adaptar. Um aumento repentino de, digamos, correr mais dias por semana ou correr por mais tempo do que antes é um dos fatores mais comuns.

Densidade óssea:

Condições como a osteoporose também colocam os corredores em risco de desenvolver uma fratura por estresse. Estudos mostraram que as fraturas por estresse são mais comuns no inverno, quando temos menos vitamina D em nossos corpos e que as mulheres estão mais propensas ao problema.

Um estudo descobriu que mulheres com um IMC baixo têm mais chances de sofrer uma de fratura por estresse. Além disso, um ciclo menstrual irregular também pode representar mais risco, segundo o médico Mahmud Taher da London Osteoporosis Clinic.

Formato:

Acredita-se também que a forma de corrida possa ter um impacto sobre a probabilidade de fraturas por estresse em alguns casos. “Parece haver uma ligação entre as fraturas por estresse na tíbia e corredores que colocam força no calcanhar”, diz o fisioterapeuta Neil Smith. “Este tipo de estilo de corrida também sobrecarrega o quadril, aumentando a possibilidade de fraturas por estresse femoral.”

Mas tenha calma antes de simplesmente mudar a sua pisada. “Correr com a ponta dos pés aumenta a carga no pé e no tornozelo, o que pode aumentar o risco de fraturas por estresse no pé”, alerta Smith.

Nutrição:

Nutrição insuficiente também pode te colocar em risco. Uma pesquisa publicada no Journal of Foot & Ankle Surgery relatou que baixos níveis de vitamina D podem aumentar o risco de fraturas por estresse. Segundo o estudo, pessoas ativas podem precisar de níveis mais altos da vitamina do que a população em geral. Baixos níveis de cálcio também podem colocar corredores em risco, junto com a alta ingestão de cafeína, muito sódio na dieta e não comer o suficiente para compensar os níveis de atividade.

Mudança de superfície:

Se você costuma correr na rua e, de repente, passa a correr muito tempo na esteira (ou vice-versa), o risco de fratura por estresse pode aumentar.

Equipamento inadequado:

O uso de tênis velhos, que tenham perdido – ou não – a capacidade de absorção de impacto pode contribuir para as fraturas por estresse.

Quais os sintomas de uma fratura por estresse?

Os sintomas mais comuns de uma fratura por estresse são:

  • Dor durante uma corrida que fica pior à medida que avança.
  • Uma dor aguda que você pode identificar em uma área óssea, pode ser sensível ao toque.
  • Dor ao descansar.
  • Inchaço na parte superior do pé ou na parte externa do tornozelo.

Um problema que surge de repente é uma sinal de atenção. Por isso, se você não teve sintomas e rapidamente sente uma dor que impede que você se mova normalmente, é hora de procurar ajuda.

Você pode correr com uma fratura por estresse?

“As fraturas por estresse relacionadas à corrida mais comuns são na tíbia”, diz Smith. “Isso é seguido por fraturas nos metatarsos (pequenos ossos do pé), fíbula e fêmur. As fraturas por estresse também podem ocorrer na pélvis dos corredores, embora isso seja muito menos comum.”

Assim, se surgir uma dor repentina no pé, canela, coxa ou pélvis não tente correr.

Como você trata uma fratura por estresse?

A melhor ideia é marcar uma consulta com seu médico o mais rápido possível. Se você não conseguir um horário rapidamente, a melhor ideia é aplicar o método RICE: rest, ice, compress and elevate. Em português: descanso, crioterapia (gelo), compressão (feita com uma faixa, que pode ser elástica, na região lesionada) e elevação (você pode elevar o pé com alguns travesseiros).

Uma vez diagnosticada por um médico, uma tala pode ser usada para sustentar o osso durante a cicatrização. A dor pode ser tratada com analgésicos como o paracetamol e colocando gelo na área afetada.

“O tratamento mais importante é o descanso”, diz Oliver. “Durante o tratamento, é preciso se afastar da atividade que causou a fratura por estresse e substituir por uma atividade sem dor durante seis a oito semanas.”

Se a corrida for retomada cedo demais, fraturas maiores podem ser desenvolvidas e isso pode levar a problemas crônicos no osso.

Em certos casos, uma fratura por estresse requer cirurgia. Na maioria dos casos, isso envolverá um suporte para o osso com o uso, por exemplo, de um pino, parafuso ou placa.

Quanto tempo leva para tratar uma fratura por estresse?

Pode levar de seis a oito semanas para uma fratura cicatrizar completamente. Enquanto isso, exercícios de baixo impacto, como ciclismo e natação, podem ser feitos. Contanto que seu médico te considere pronto e você assuma a atividade ao poucos. Passar com um fisioterapeuta quando você voltar a correr pode ajudar a identificar quaisquer problemas biomecânicos que possam colocá-lo em risco de nova lesão.

Como posso evitar fraturas por estresse?

Aumente o exercício lentamente. “O planejamento de qualquer programa de treinamento é uma ótima maneira de evitar fraturas por estresse. Prepare-se para um programa de pré-treino de 4 a 6 semanas envolvendo um aumento muito gradual na quilometragem”, diz Smith.

Visite um fisioterapeuta

Pesquisas sugerem que o tratamento de falhas biomecânicas pode ajudar a prevenir fraturas por estresse. Visite um fisioterapeuta para fazer uma avaliação de sua técnica de corrida e pegar exercícios preventivos para corrigir quaisquer problemas antes que eles aumentem.

Varie a superfície de suas corridas

“Variar a superfície em que você corre também pode ajudar a prevenir fraturas por estresse. Da mesma maneira que substituir uma ‘corrida de recuperação’ por uma sessão de cross-training, como natação ou ciclismo”, acrescenta Smith. “O mais importante, ao planejar um programa de treinamento, é ser realista com suas metas de distância e velocidade.”

5 exercícios de baixo impacto para o seu cross-training 

Tenha uma dieta saudável

Uma dieta equilibrada, rica em cálcio e vitamina D, garante que os seus ossos sejam fortes.

5 sinais de que você precisa consumir mais cálcio

Adicione treinamento de força ao seu plano de corrida

Uma das melhores maneiras de prevenir a fadiga muscular e a perda de densidade óssea é o treinamento de força.