Vem correr também!

20 dicas de especialistas para você fazer do esporte um aliado da saúde e da boa forma

Foto: Nigel Buchanan.

Por Mark Remy e Patricia Julianelli

A corrida tem o poder de transformar vidas. Ela mantém o corpo e a mente saudáveis. Fortalece as pernas, o coração e a alma. Apresenta-nos a novos lugares e a pessoas incríveis. Além disso, traz outra vantagem: conforme acumulamos quilômetros ao longo da vida, cresce também nosso conhecimento. Não só o relacionado ao esporte, mas o aprendizado que faz de nós pessoas melhores. Sim, a corrida pode ser uma ótima professora. A seguir, apresentamos 20 lições valiosas para você começar a treinar e evoluir para o maior caso de amor da sua vida: você e a corrida.

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1Vale a pena ter paciência

Que palavra define um corredor afobado?
Resposta: lesão.

Os corredores iniciantes que se deixam levar pela empolgação quase sempre acabam se machucando ou ficando esgotados – ou as duas coisas. O mesmo vale para os veteranos que, ao voltar a correr depois de uma pausa, tentam “recuperar o tempo perdido” dobrando a quilometragem habitual. Paciência é ter disciplina para postergar a gratificação, ter um plano e segui-lo. É progredir aos poucos. A corrida fortalece essa disciplina e também nosso corpo.

2A força tem muitas facetas

Força não é necessariamente sinônimo de músculos. É só dar uma olhada na largada das provas de longa distância para entender o apelido de “canela fina” da elite. E quem dirá que aqueles corredores não são fortes? Há também atletas grandes, mas não musculosos. E outros nem acima, nem abaixo do peso padrão. Por isso, nós, corredores, aprendemos desde cedo que aparência não significa nada, porque a verdadeira força vem de dentro – ela é, em essência, sinônimo de se recusar a desistir. Segundo essa definição, todos nós podemos ser muito fortes.

3A regularidade é preciosa

Quando a vida pede uma pausa, ela vem como um respiro. Quando precisamos suar todo o estresse, ela nos deixa mais leve. Quando o dia merece uma comemoração, ela vem coroar o momento. Nós envelhecemos, crescemos, mudamos de casa, rimos, amamos, choramos. Ao longo de tudo isso, temos a corrida sempre e quando precisamos.

4Colhemos o que plantamos

Não são poucos os corredores que mal chegam no primeiro treino e perguntam ao técnico: “Quando vou poder correr uma maratona?”. Ou ainda: “Dá para eu completar uma maratona treinando duas vezes por semana?”. Até é possível encarar 42 km sem treinar direito, mas vale? Na melhor hipótese, a pessoa vai conseguir terminar a prova e terá uma péssima experiência. Na pior, sofrerá uma lesão. Mas esse imediatismo é comum, e não apenas entre aqueles que sonham com o título de maratonista. Acredite: conseguir algo com  o suor do rosto é bem  mais prazeroso (e eficiente) na corrida e na vida.

5É fora da zona de conforto que crescemos

Friedrich Nietzsche já disse: “O que não mata fortalece”. Mesmo que você tenha suas ressalvas quanto à afirmação, há de concordar: sobreviver a uma dificuldade pode nos dar mais subsídios para enfrentar obstáculos futuros. Ficamos mais resistentes, mais fortes e mais confiantes.

6Corra pensando na linha de chegada

Todo mundo que já correu uma maratona teve o seguinte pensamento: mas o que é que eu estou fazendo aqui? Isso pode acontecer não apenas durante uma prova, mas também em um treino pesado, em um longão ou quando estamos em uma banheira com gelo. Por quê? Sempre há um motivo, mesmo que você não consiga enxergá-lo naquele momento. Alguma coisa fez com que você tivesse o desejo de realizar aquele sonho. Algo espera por você na linha de chegada. Redenção? Absolvição? Autoconfiança? Cerveja? Seja lá qual for seu motivo, tenha sempre ele em mente. Sobretudo quando as coisas ficarem difíceis, pois quando não conseguimos mais nos lembrar de nossa meta final nem responder “por que estou fazendo isso?”, as coisas podem ficar muito sombrias, e bem rápido.

7…mas desfrute cada quilômetro

Você não vai querer alcançar a linha de chegada, seja a real ou aquela grande e iminente linha metafórica, e perceber que perdeu muitas coisas ao longo do percurso. Correr pode ser algo ilógico, assim como a vida. Mas, apesar de tudo, você está vivo, respirando e pode vivenciar coisas maravilhosas. Aproveite enquanto pode.

8Sem os baixos, os altos não fariam tão bem assim

Algumas corridas são ruins. Outras são boas. Algumas são ótimas, principalmente quando as comparamos com as ruins. É mais fácil a gente se livrar de uma má corrida quando se lembra que já fez muitas corridas ótimas. Corridas terríveis fazem com que as boas sejam muito mais gratificantes. Correr pode ser comparado  a uma série de altos  e baixos, assim como  a vida, e não há problema nisso. Na verdade, é até necessário.

9Uma rotina regrada pode se transformar em uma rotina previsível. E uma rotina previsível, em tédio e esgotamento físico e mental

É tentador encontrar uma fórmula que funcione e se agarrar a ela. Mas, cedo ou tarde, a monotonia se transforma em falta de interesse. Descubra novas maneiras de desafiar seus músculos, sua mente, suas expectativas. É assim que se evolui.

10O primeiro passo é o mais difícil

A melhor maneira de começar a correr é começar a correr. Isso parece estúpido e óbvio, mas é um ótimo conselho. Principalmente quando está chovendo, quando faz muito frio ou muito calor, quando está muito cedo, e por aí vai. Em geral, os obstáculos mais difíceis de superar na vida não são os físicos, mas os mentais. Indecisão, medo, dúvida… essas coisas nos paralisam. Em algum momento, é preciso se levantar e ir em frente.

11Estabeleça seu próprio ritmo

“Acompanhar o ritmo” é uma grande tentação quando se corre com um grupo, mesmo que ele fique mais rápido e você se veja acelerando muito mais que gostaria ou precisaria naquele dia. Isso é natural. Mas seguir o ritmo de alguém sem ter um propósito é perigoso. Preocupe-se com você mesmo e esqueça todo mundo.

12É preciso ter fé

Ter fé é acreditar. Isso vale quando nos inscrevemos para nossa primeira prova e quando decidimos nos demitir para ir atrás de um sonho. Ou melhorar de vida e mudar de cidade. Depois de um certo ponto, você tomou uma decisão e se preparou o melhor possível. Tudo o que resta é respirar fundo e adentrar o desconhecido.

Experiência vale mais que coisas

Não se pode negar a alegria de abrir uma caixa de tênis novinho em folha ou de sair de uma loja com um casaco impermeável que estava na liquidação. E, de fato, todo mundo precisa de um bom par de tênis de corrida e de alguns outros itens essenciais. Mas pode perguntar a um corredor com muitos quilômetros no currículo: ele dificilmente se lembrará da maioria dos equipamentos  que comprou na vida. Mas recordará,  em detalhes, das provas das quais participou, dos lugares que visitou por causa da corrida e das pessoas que conheceu.

13As melhores recompensas raramente são essenciais

É ótimo quando saímos para correr e a mente fica leve, os membros relaxados e descobrimos uma energia que não sabíamos que tínhamos. Talvez você faça uma descoberta criativa. Mas as grandes recompensas, como redução da pressão arterial, peso mais saudável e recordes pessoais, só são conquistadas com tempo e persistência. As corridas, em si, não vão mudar sua vida, mas o ato de praticar corrida vai.

14Falar ajuda muito

É impressionante como é fácil conversar enquanto estamos correndo. Não falamos aqui de um intervalado, claro, mas um treino que permita uma troca. O próprio ato de correr, a alta frequência cardíaca, o suor e as endorfinas muitas vezes funcionam como uma espécie de lubrificante social. E é mais fácil falar quando não estamos olhando nos olhos de alguém, conscientes de nós mesmos e reagindo a expressões faciais e à linguagem corporal. Os pensamentos simplesmente fluem.

15Não há problema em sentir medo

A cena é comum na largada de provas longas, especialmente nas meias e maratonas. Quem está ali para a estreia na distância dificilmente consegue esconder o nervosismo. Muitos dos que estão ali pela segunda, terceira ou enésima vez também não. E faz parte do show. O nervosismo é natural e saudável, desde que você não se deixe consumir por ele. A ansiedade é um sentimento normal quando se está diante de um grande desafio. Reconheça. Aceite. Leve-a para correr com você.

16É bom ser confiante, mas não arrogante

Se você não tomar cuidado, a autoconfiança poderá se transformar em arrogância. A confiança em si mesmo é benéfica; a arrogância, por sua vez, será sua ruína. Somos mais fortes do que pensamos, mas todos nós temos nossos limites.

17Às vezes, as coisas dão errado

Eis a dura verdade:  nem sempre importa quão bem você se preparou. Você pode fazer tudo direitinho e, ainda assim,  não alcançar suas metas. Isso é injusto? Talvez.  Mas é a vida. E quer saber de uma coisa? Os corredores mais longevos não permitem que uma prova ruim os defina ou derrote. Quando você entende que certas coisas estão fora do seu controle, passa a aceitar  e não se preocupa mais  do que deveria.

18Simplesmente siga em frente

Não importa como nem quão bem; às vezes, esse é o único princípio norteador que nos resta. Mesmo quando parece não haver mais esperança, sempre existe um caminho à frente. Procure-o incessantemente. Encontre-o. Persista.

19Se você aguardou até realmente precisar ir ao banheiro, quer dizer que você esperou demais

Se você não tirou nenhuma lição desta reportagem, aprenda ao menos isto. Vá por nós!

O PRÓXIMO PASSO

Quando você conquistar uma base sólida, é hora de incluir treinos mais desafiadores na planilha. “Se você faz a mesma coisa dia após dia, semana após semana, é provável que seu corpo esteja totalmente adaptado, já que não há exigências para que ele faça mais”, afirma a treinadora Janet Hamilton. “Se sua meta é entrar em forma e ganhar velocidade, então, eventualmente, você vai precisar forçar um pouco mais seu corpo.” Experimente fazer um desses exercícios por semana, além de duas corridas fáceis e um longão, para ganhar mais velocidade e força.

REPETIÇÃO EM SUBIDA

Escolha uma subida no meio do seu percurso de corrida, que você demore de 30 a 60 segundos para percorrer em um ritmo tranquilo. Trote por 10 minutos para aquecer e corra na subida de 2 a 4 vezes. Suba em ritmo ligeiramente mais lento que o da corrida no plano e corra na descida mantendo passadas leves e rápidas. Termine trotando por 10 minutos. DIFICULTE O TREINO: Aumente o número de corridas em subida a cada semana, até chegar a seis. Depois, tente correr na subida no mesmo ritmo que você corre no plano.

INTERVALADOS RITMADOS

Após um aquecimento de 10 minutos, faça 15 minutos de corrida de 1 a 2 minutos em ritmo confortavelmente forte (você só deve conseguir dizer algumas palavras), alternados com corridas fáceis de 3 a 4 minutos. Trote por 10 minutos. DIFICULTE O TREINO: Aumente a duração dos intervalos quando os treinos ficarem mais fáceis ou experimente fazer segmentos de mesma duração da seguinte forma: corra 2 minutos em ritmo difícil e recupere-se por 2 minutos.

FARTLEKS COM PONTOS DE REFERÊNCIA

Aqueça por 10 minutos. Depois, escolha um ponto de referência à frente e corra em ritmo confortavelmente difícil, até passar por ele. Trote até recuperar o fôlego. Repita por 15 minutos e, depois, desaqueça durante 10 minutos. DIFICULTE O TREINO: Aumente o tempo entre aquecimento e desaquecimento ou escolha um ponto de referência externo, como o momento em que um carro passa ou o início de uma nova música da sua lista, para determinar o término de segmentos difíceis.

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