#365para42: O que seu DNA diz sobre sua performance?

Por Cacá Filippini

DNA e performance esportiva
#365para42: Cacá Filippini estuda sua genética para melhorar sua performance esportiva

Em nossos últimos encontros, compartilhei com vocês os motivos que me levaram a tomar a decisão de correr uma maratona. E o fato de já nos primeiros treinos ter que aprender a lidar com a mente, que pode ser ou não uma aliada nesse desafio. Hoje, vamos falar de DNA e performance esportiva: como a pré-disposição genética pode nos ajudar ou dificultar nessa trajetória.

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Não sei se vocês sabem, mas cerca de 66% da variabilidade da performance atlética pode ser explicada por fatores genéticos aditivos, ou seja, uma ampla combinação de diferentes genes envolvidos com o metabolismo e todas as vias relacionadas ao exercício. Já o restante dessa variação é explicado por fatores ambientais. Variações na sequência de DNA em genes relevantes têm sido associadas com fenótipos específicos envolvidos no desempenho atlético, incluindo: capacidade de resistência, desempenho muscular, susceptibilidade a lesões, composição de massa de um organismo, e de aptidão psicológica.

Os recentes avanços em estudos de associação genômica abriram o caminho para uma nova abordagem da performance, que passa a ser personalizada e de precisão. E tão logo decidi que percorreria os 42k195m da Maratona de Nova York em 2020, fui em busca de tudo que me ajudasse a cumprir a meta. E quero, ainda, fazê-la de forma com que meu corpo não ficasse tão impactado no pós-prova.

DNA e performance esportiva: o que o meu gene fala sobre a minha corrida?

Em conversa com meu ortopedista, Dr. Fabio Castello Branco, especialista em Medicina Esportiva e também sócio da empresa DN46 — com foco em análises de DNA para diferentes objetivos — decidi realizar o teste DN46 Performance, que detecta o meu perfil genético e muscular, características de Performance Esportiva (capacidade cardiorrespiratória e de flexibilidade, e resposta inflamatória global) e ainda, os riscos de lesões (tendíneas, ligamentares e musculares).

DNA e performance esportiva
Dr. Fabio Castello Branco e Cacá Filippini analisam seu perfil genético em busca do aumento de sua performance

De acordo com o Dr. Fabio, o teste traz informações individuais desconhecidas, mas escritas em nosso DNA. E possibilita entender o porquê de algumas limitações ou baixo rendimento de performance em determinada atividade. Tais dados, ajudam médicos e preparadores físicos a traçarem medidas mais efetivas para elevar o desempenho do atleta. Ele ainda ressalta que cada vez mais pessoas não-atletas recorrem a esse tipo de teste para aumentarem sua qualidade de vida.

Através da amostra de saliva coletada em algumas hastes, é possível entender o que os genes, repassados por nossos pais, determinam em nossas características corporais — inclusive  em relação à capacidade (ou não) de ter um desempenho extraordinário na hora de se exercitar.

Bom desempenho vem de berço ou é fruto do esforço? Os dois!

Um bom exemplo disso é a confirmação de alto risco para lesões de tendões e ligamentos, escrito em meu gene. Nestas lesões, o quadril e  os joelhos são os mais suscetíveis. Bingo! Daí uma boa explicação para a recorrência de lesões no mesmo joelho, em várias fases da minha vida, mesmo quando assistida de profissionais da área e tendo feito um trabalho focado em fisioterapia.

Mas isso não quer dizer que eu terei lesões para o resto de minha vida. Ao contrário, uma vez que se sabe desse perfil, os especialistas preparam o meu corpo de modo a reduzir as chances de novas ocorrências. “Daí um trabalho de prevenção e não apenas reabilitação se faz necessário”, afirma Dr. Fabio, que complementa: “É importante salientar que a pré-disposição não é um impeditivo á superação. Mas sim um ponto característico que deve ter atenção.”

Apesar da carga genética ser bastante influente na nossa capacidade de responder a um estímulo e melhorar nosso desempenho esportivo e corporal, pouco mais da metade dessas características são causadas pela ação direta dos nossos genes. Reitero que quase metade delas são resultado de uma combinação da ação genética com o que chamamos de fatores ambientais.

Outra questão revelada em meu teste refere-se ao tipo de fibra muscular que tenho. No caso fibra branca, também conhecida como de Tipo II ou de contração rápida, que se caracteriza por rápida fadiga, movimentos de explosão e predominantemente anaeróbicos, que exigem paradas bruscas, arranques com mudança de ritmo e saltos, como: basquete, futebol, tiros de até 200 metros, musculação, entre outros que não contemplam uma corrida de longa distância, como o caso de uma Maratona.

Então meu DNA me leva ao fracasso?

Fazendo uma análise geral e crua do que corre em minhas veias, o cenário não é muito favorável. Além do alto risco de lesões, músculos que fadigam mais rápido, ainda tenho uma capacidade baixa de flexibilidade, o que pode refletir negativamente no movimento que desempenho durante a corrida e minha capacidade cardiorrespiratória também precisa ser aperfeiçoada para que eu tenha fôlego para completar o percurso.

E é aí que a brincadeira fica ainda mais interessante, porque especialistas em evolução corporal afirmam que o corpo humano responde positivamente a estímulos, cria novos padrões e evoluí constantemente em campos limitados por seu DNA* — spoiler do que vem por aí na trajetória do #365para42. Até lá!

* Bouchard C. Overcoming barriers to progress in exercise genomics. Exerc Sport Sci Rev. 2011;39:212-7.

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