Sofrer para quê?

Toda dor que começa a incomodar merece ser investigada

A história do “no pain, no gain” não existe. Traduzida, a frase significa “sem dor, sem ganhos”, e associa a conquista de qualquer benefício diretamente à dor. Mas não é bem assim. Não é saudável sentir dores durante a prática de exercícios físicos. Por ser um termômetro importante, qualquer incômodo deve ser levado a sério.

No caso dos corredores, as dores costumam envolver os membros inferiores (como joelhos, tornozelos, panturrilhas e pés) e a coluna. Dores relacionadas a essas partes do corpo são um sinal de que algo não está normal e precisa ser verificado. É importante ressaltar que cada pessoa tem uma tolerância diferente à dor. Há quem se sente mais incomodado que outras pessoas; algumas conseguem continuar correndo, mesmo com um incômodo, outras, não. Tudo vai depender da sua idade, intensidade de treinos, histórico de lesões, se você é iniciante ou não.

De modo geral, se a dor acontece durante o treino, o ideal é parar, alongar-se, se possível colocar gelo no local e voltar a correr. Se ela incomodar muito, pare o treino, repouse por cerca de dois dias e volte com uma corrida mais tranquila. Se a dor persistir, vá ao médico. Um diagnóstico preciso e precoce permite que você fique menos tempo “de molho” e o tratamento seja mais rápido. Se a dor aparecer durante uma prova, recomendo parar, afastar-se da pista e se alongar. Depois, volte ao percurso caminhando e aumente o ritmo aos poucos. Mas não “tire os olhos” da dor. Se ela recomeçar, complete a prova caminhando ou, se ficar insuportável, abandone-a. É melhor não forçar a barra na competição do que passar meses tratando uma lesão que evoluiu. Estiramentos, por exemplo, só pioram se forem forçados.

As lesões mais comuns entre os corredores são musculares (coxa e panturrilha), tendinopatias (tendinites), fraturas por estresse, fascite plantar e também lesões articulares (joelho, tornozelo e região do quadril). Este último tipo de lesão é o mais preocupante, porque envolve cartilagens e ligamentos. O quadril, mais especificamente, é repleto de estruturas musculoesqueléticas importantes. Se alguma dor surgir nas articulações ou se o local inchar, repouse de dois dias a uma semana.

Já as dores de origem muscular normalmente são por fadiga, portanto um período breve de descanso, de dois a três dias, pode resolver. É importante também aliar ao repouso alimentação e hidratação adequadas e gelo no local. E, claro, se a dor persistir, vá ao médico.

Conseguir detectar logo o problema deixará o corredor mais tranquilo e permitirá que o treinador modifique o treino adequadamente. O médico existe para te dar qualidade de vida e fazer com que você melhore, não para fazer você parar de correr.

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