Cadência de corrida: vale a pena se preocupar?

Por Hailey Middlebrook, da Runner's World US

Cadência de corrida
Foto: Shutterstock

A cadência, ou o número de passos que os corredores levam por minuto, é um ponto calculado em muitos relógios GPS, mas ninguém sabe exatamente o que fazer com ele. Será que vale a pena se preocupar com a sua cadência de corrida?

Por décadas, nos foi dito que 180 passos por minuto (SPM) é a cadência ideal para correr. Esse é um número que o lendário treinador de corrida Jack Daniels observou depois de contar a taxa de rotatividade de corredores de longa distância nas Olimpíadas de 1984. No entanto, recente pesquisa descobriram que as taxas de cadência variam muito dependendo da velocidade dos corredores.

Ainda assim, a questão permanece sobre o que a cadência pode realmente nos dizer. Assim, pesquisadores da Universidade de Michigan decidiram ver o que realmente afetava as taxas de rotatividade dos indivíduos. E como o monitoramento de nossa própria cadência poderia nos tornar melhores corredores.

Cadência de corrida e performance

No estudo, publicado no Journal of Applied Physiology, os pesquisadores analisaram os 25 finalistas masculinos e femininos nos campeonatos mundiais de 100 km de 2016 em Los Alcázares, na Espanha, para ver se alguma característica específica afetou sua cadência. Os smartwatches dos corredores forneceram os dados de cadência. Em seguida, os corredores responderam a uma pesquisa via e-mail. Por lá eles responderam sua idade, altura, peso, treinamento e experiência de corrida e a velocidade em que estavam competindo.

Antes que os resultados chegassem, o autor do estudo e ultramaratonista Geoffrey Burns, da Universidade de Michigan, tinha um palpite de que haveria muita variabilidade nas taxas de rotatividade entre os ultra-atletas.

O estudo confirmou a previsão de Burns. Quando Burns mapeou a frequência média dos participantes durante a corrida de 100 km, os dados variaram de 155 SPM para 203.

“Uma das descobertas mais impressionantes foi que as médias mais altas e mais baixas terminaram com poucos minutos de diferença”, disse Burns.

Curiosamente, quando ele tomou a média de todas as cadências dos corredores, ele encontrou um número familiar: 182 passos por minuto, um pouco mais rápido do que o chamado ideal.

Cadência e características pessoais

Surpreendentemente, de todas as características que os corredores foram questionados na pesquisa apenas a velocidade e a altura afetaram as cadências individuais dos corredores. O estudo descobriu que, quando os corredores pegavam o ritmo, a frequência dos passos aumentava. Além disso, os corredores mais altos tinham frequências mais baixas do que os corredores mais baixos.

“Intuitivamente, isso faz sentido”, disse Burns. “Corredores mais altos têm pernas mais longas, então eles podem dar menos passos por minuto para cobrir a mesma distância.”

Ele também analisou se a fadiga afetava a cadência. A resposta: não. Mesmo quando os ultrarunners estavam na segunda metade da corrida, se mantinham o mesmo pace, eles tinham a mesma cadência. E quando davam um gás no final da corrida, tiveram contagens de passos maiores, apesar das pernas cansadas.

Cadência de corrida: vale a pena se preocupar?

De acordo com o estudo, existem apenas duas maneiras de aumentar sua cadência: ser mais baixo ou ir mais rápido. Como a primeira opção está fora de questão, aumentar seu ritmo é a única alternativa.

Como o estudo descobriu, não há motivo real para querer isso. A cadência de todos é diferente. E ter um número mais rápido ou melhor não faz de você necessariamente um melhor corredor.

“A cadência não é algo para se ter como meta ou mudar nossa mecânica”, disse Burns.

Em vez de apontar para um número específico, ele usa a cadência como referência para sua aptidão física. Ele percebeu que quando está em melhor forma, sua cadência tende a ser menor em um determinado ritmo. Isso acontece porque os seus passos têm mais força. Quando sua cadência é maior do que o normal no mesmo ritmo, ele toma isso como um sinal de que deveria fazer mais repetições ou acelerar o trabalho para ficar mais forte.

“É uma coisa útil para monitorar, mas você não pode ser algo determinante, porque a mecânica de todos é diferente.”

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