Atividade física reduz chance de câncer de cólon

Por Elizabeth Millard, da Runner's World US | Edição da Runner's World Brasil

câncer de cólon
Foto: Shutterstock

Você foi uma pessoa ativa durante a adolescência? Depois de adulto, você continuou praticando atividade física? Segundo uma nova pesquisa publicada no British Journal of Cancer found, pessoas que foram ativas quando mais novas e mantiveram esses hábitos têm 24% menos chance de desenvolver câncer de cólon, do que as que eram inativas.

De acordo com o estudo, atividade física física durante a adolescência pode diminuir a probabilidade de câncer de cólon. E se você continuar ativo ao longa da vinda, exercitando-se diariamente, as chances são ainda menores.

O estudo analisou dados de 28.250 mulheres com idades entre 25 e 42 anos. Eles examinaram os efeitos a longo prazo da prática de atividade física, alimentação e hormônios, além de outros fatores.

Eles descobriram que as mulheres que faziam ao menos uma hora de atividade física por dia dos 12 aos 22 anos tinham menos risco de adenoma em 7%, na comparação com aquelas menos ativas.  (Adenomas são pólipos considerado precursores do câncer colorretal). Entre as que começaram a se exercitar já na vida adulta, a redução de risco foi de 9%.

Mas as maiores beneficiadas foram as mulheres que se exercitaram quando mais novas e mantiveram a prática diária de – pelo menos – uma hora de atividade física. Elas reduziram o risco de adenoma em 24%.

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Atividade física e a prevenção do câncer de cólon

O ponto principal aqui é que há um efeito cumulativo da atividade física com a idade, de acordo com o co-autor do estudo Leandro Rezende, da Universidade de São Paulo. “Atividade física reduz o risco de câncer de cólon por vários mecanismos biológicos”, afirmou à Runner’s World US. “Provavelmente, o controle de peso é o fator mais imporante. Porque isso afeta a resistência à insulina e a inflamação envolvidas no surgimento e progresso do câncer.”

O estudo não fala se a intensidade ou a frequência possam ter maior influência nesse resultado. No entanto, Rezende afirma que estudos anteriores já mostraram que atividade física moderada até intensa é associada ao menor risco de câncer de intestino. Além de reduzir o risco de câncer de mama e do endométrio.

Quanto mais atividade física você fizer, ainda mais se for todos os dias, em níveis altos, maior o impacto na prevenção do câncer”, afirma Rezende.

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Como diagnosticar o câncer de cólon

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de cólon ou do intestino, é a terceira maior causa de mortes por câncer no Brasil.  De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa é de aproximadamente 36 mil novos casos da doença em 2019, sendo mais de 17 mil em homens e quase 19 mil em mulheres.

Embora os números assustem, quando detectado em seus estágios iniciais, a possibilidade de cura chega a 90%.

“É recomendado que as pessoas com mais de 50 anos façam a colonoscopia. Em casos de suspeita clínica ou histórico familiar que sugira síndromes hereditárias, esses exames precisam ser feitos imediatamente, independentemente da idade”, orienta Aline Angélica Porto, oncologista do Hospital Brasil, da Rede D’Or São Luiz.

Em sua grande maioria, os tumores são benignos na fase inicial e crescem lentamente, podendo levar anos até o estágio avançado da doença, quando aparecem os primeiros sintomas. Mas o diagnóstico é simples, feito por meio de exames que avaliam a presença de sangue oculto nas fezes. A orientação é que esses exames sejam feitos anualmente.

Por mais que a doença seja silenciosa, ela pode se manifestar através de mudança no hábito intestinal. Diarreia e sangramento nas fezes, por exemplo, são os sintomas mais comuns dos tumores do lado esquerdo do intestino. Podem ocorrer ainda dores abdominais e até uma obstrução completa do intestino.

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Tratamento do câncer de cólon

Segundo Rogério Palma, cirurgião do aparelho digestivo da Rede D’Or São Luiz, há diferentes formas de tratar esse tipo câncer. Os especialista levam em conta a localização do tumor, tamanho, extensão e o organismo do paciente. Quando localizado no reto, por exemplo, o tratamento adotado é chamado de neoadjuvante (antes da cirurgia). Nesse caso, ainda pode ser realizado com radioterapia e quimioterapia antes de uma possível cirurgia. Já no colón, caso não tenha se espalhado para outros órgãos, adota-se um método chamado adjuvante (depois da cirurgia). Nessa área, o tratamento cirúrgico é a principal opção, antecedendo a rádio e quimioterapia. Dessa forma, a probabilidade da recorrência da doença é reduzida, aumentando as taxas de cura.

Vale lembrar ainda que, atualmente, há cirurgias pouco invasivas que são mais confortáveis para os pacientes. “Em pacientes obesos, por exemplo, as cirurgias robóticas estão sendo cada vez mais frequentes, principalmente na retirada de tumores retais. Além disso, também temos a laparoscopia, que vêm mostrando excelentes resultados oncológicos. Ambas apresentam benefícios de melhor visualização e dissecção do tumor”, ressalta o especialista.

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