Bicampeã olímpica é obrigada a se medicar para competir como mulher

Por Runner's World

Caster Semenya é obrigada a se medicar
Foto: Reprodução Instagram/ Caster Semenya

A bicampeã olímpica de atletismo Caster Semenya disputa nesta sexta-feira (3), em Doha, no Catar, seus últimos 800 m antes do regulamento que a proíbe de competir começar a valer. A prova é parte da Diamond League e acontece às 14h, horário de Brasília. Agora Caster Semenya é obrigada a se medicar para competir como mulher. 

A partir do dia 8 de maio, Caster e todas as mulheres que produzem mais testosterona do que o considerado normal precisarão controlar os níveis de hormônio no corpo. Caso contrário, não poderão competir em provas de 400 a 1.600 m. A decisão foi divulgada na quarta-feira (1), pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). A decisão se apoia na justificativa de que a substância daria às atletas mais vantagens com relação às adversárias. Vale pontuar que as provas de 100 e 200 m e as corridas com mais de 1,6 km estão fora da legislação. 

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Em nota oficial, a Corte Arbitral do Esporte diz que considera a escolha “discriminatória, mas necessária”. Já Caster resolveu se pronunciar nas redes sociais de maneira discreta. “Às vezes é melhor reagir sem nenhuma reação”, publicou a bicampeã olímpica de atletismo, que agora não poderá mais participar das provas que eram sua especialidade — e já lhe renderam três campeonatos mundiais e dois ouros olímpicos.

Na manhã desta sexta-feira (02/05), a conta da atleta havia sido bloqueada e não é mais possível acessar aos conteúdos do perfil, a não ser com autorização de Caster.

O polêmico caso da bicampeã olímpica de atletismo

Antes mesmo da sentença ser julgada no TAS, diversas associações de esporte e grupos favoráveis aos direitos das mulheres já tinham se pronunciado. Inclusive a Assembleia Geral da Nações Unidas, que denunciou a imposição.

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Todos os grupos contrários afirmaram que não é justo a um atleta ter que dopar-se para poder competir. É válido lembrar também que a regra não funciona para os homens. Os que apresentam taxas exageradas de testosterona, por exemplo, não são proibidos de competir. Eles precisam apenas apresentar documentos e exames que comprovem a fabricação em excesso como sendo natural de seus organismos.

Atualizada em 02/05/2019, às 12:40

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