Com câncer em metástase, corredora completa sua última maratona em Londres

Por Emily Shiffer, da Runner's World US

corredora com câncer em metástase
Foto: Cortesia Renee Seman

Corredora com câncer em metástase se despediu das provas no última domingo (28), ao completar a Maratona de Londres. Renee Seman, americana de 41 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2014. Depois que descobriu o estágio da doença colocou as Majors como metas de sua vida.

Renee começou a correr em 2008. Seu objetivo era atingir os primeiros 10 km para entrar em forma antes de tentar ter um bebê. Depois de crescer jogando softball, ela precisava encontrar uma atividade que não exigisse uma equipe ou muito tempo do seu dia. Então, resolveu apostar na corrida, mas sua história de amor com o esporte não aconteceu à primeira vista.

“Eu caí de paraquedas. Por isso, demorei um pouco para entrar no ritmo. No começo, eu odiei”, ela disse à Runner’s World UK. “Mas continuei e comecei a ver progressos. Tudo o que tive que fazer foi vestir meu tênis e sair pela porta.”

Em 2009, a moradora de Long Island, em Nova York, completou seus tão sonhados 10 km. Foi aí que o vício começou. “Gostei da emoção da competição em si – foi muito diferente de apenas sair correndo”, afirmou.

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A chegada da filha aconteceu somente em 2013, mesmo ano em que descobriu um nódulo estranho no seio. “Eu notei o caroço no meu peito esquerdo no chuveiro, enquanto raspava a axila”, disse ela. “Eu não tinha nenhum outro sintoma e estava amamentando na época, então não me preocupei. Mas mesmo assim marquei uma consulta para ver meu médico.”

Sua ginecologista e obstetra imediatamente a encaminhou para um ultrassom. O próximo passo foi a biópsia. Em março de 2014, ela foi diagnosticada com câncer de mama. “Este é o subtipo mais comum da doença”, diz Kevin Kalinsky, oncologista do Centro Médico Presbiteriano de Nova York e professora da Universidade de Columbia.

Lidando com o diagnóstico do câncer de mama

Inicialmente, os médicos pensaram que seu câncer de mama estava no estágio 1, o que significaria que ele estaria concentrado no seio e ainda não teria se espalhado para alguma outra região do corpo. Se fosse esse o caso, a cirurgia seria a melhor opção, embora Renee tivesse que dar uma pausa na corrida.

Prestes a marcar o procedimento cirúrgico, um exame mostrou áreas suspeitas nos ossos, e uma biópsia óssea confirmou a presença da doença em estágio 4. Conhecida como metástase, a fase da doença significa que ela já atingiu outras regiões e órgãos e continua a avançar.

Na época do diagnóstico, Renee já havia se inscrito para a Meia Maratona do Brooklyn, que seria realizada dali a dois meses. Quando os médicos descobriram que seu câncer de mama era metastático, a corrida realmente se tornou uma forma de terapia para ela.

“Quando vi que a cirurgia não era uma opção para mim, tive que lidar com o meu diagnóstico. E para isso investi na corrida”, disse ela.

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Mesmo com terapia hormonal para neutralizar os hormônios que poderiam fazer com que seu câncer crescesse – uma espécie de menopausa forçada – ela ainda estava se sentindo fisicamente forte e capaz de correr a Meia Maratona do Brooklyn.

“Eu não sofria com os sintomas do câncer de mama. Não sentia dor e isso não afetava negativamente minha vida ”, afirmou Renee.

Completando todas as provas

Com Brooklyn riscada da sua lista, ela começou a mirar a Maratona de Nova York. “Era algo que eu queria muito fazer”, disse ela. “E pensei que, se eu queria tanto assim, tinha que realizar logo. Quando me inscrevi, fiquei nervosa. Achei que estava louca”, lembra.

Mesmo assim, ela fez. Na época, a corredora nem sabia da existência da World Marathon Majors e muito menos que ela tentaria outros feitos. Porém, quando descobriu sobre as seis provas ao redor do mundo, não teve dúvidas: iria completar todas que fossem em solo americano.

“Viajar para fora do país era demais para mim, mas Chicago era uma opção”, disse ela. 

Renne completou a Maratona de Chicago em 2016. 

Naturalmente, Boston foi o próximo destino. Durante os seus treinos surgiu a ideia de incluir provas internacionais à sua lista de desejos. Foi aí que começou a se programar também para Berlim.

Corrida e tratamentos contra o câncer de mama

O problema é que foi justamente nessa época que a corredora começou a sentir os efeitos negativos de seu tratamento. “Até então, o câncer de mama nunca havia me incomodado fisicamente. Mas os tratamentos começaram a surtir efeito depois de Boston. Meu corpo pedia uma pausa”, contou. “Eu perdi todo o meu cabelo, e não conseguia treinar e correr. Com o tempo, comecei a ficar muito deprimida”.

Seus médicos perceberam que uma das causas da depressão era, justamente, não praticar esportes. Então, a ajudaram a descobrir como voltar à antiga rotina.

Com base em seu cronograma de tratamento, ela sabia quais os dias em que não estaria se sentindo bem. Nos dias bons, iria treinar. “Depois que fui capaz de reprogramar a minha vida, tudo mudou. Correr, para mim, faz parte do meu tratamento. É algo que eu preciso”, disse ela.

Renee contratou uma assessoria para ajudá-la na preparação para a Maratona de Berlim, em setembro de 2018, e para a Maratona de Tóquio, em março de 2019. O objetivo era completar as corridas sem se machucar.

No domingo (28), em Londres, ela concluiu a sua meta completando a Major que faltava, em 06:51:43.

Essa, no entanto, também foi a sua última maratona.  

“O câncer se espalhou para os meus dois fêmures, o que torna uma maratona muito perigosa para a minha saúde. Então, decidi que essa foi a última”, disse Renee.

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Tudo isso não seria possível sem o apoio da família. “Quando eu fico mal, eles estão lá para me levantar”, disse ela. Sua filha de 5 anos é uma de suas maiores fãs. “Durante as corridas ela é tão fofa, fica torcendo e pulando”, disse. “É importante que ela faça parte da minha jornada.”

Olhando para o futuro

Londres pode até ser o fim da sua jornada de corrida, mas não é o fim de sua vida de corrida. Na verdade, Renee planeja fazer parte da comunidade de corredores enquanto for capaz.

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“Correr me dá um lugar para refletir e lidar com minhas emoções”, disse ela. “Correr me faz sentir bem e capaz. Isso me dá a oportunidade de desafiar meu corpo”, finaliza.

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