4 dicas de defesa pessoal para corredores

Por Stephen Camelio, da Runner's World US

Foto: Shutterstock

Se você corre sozinho ou sozinha, é preciso estar atento. Há quem, por exemplo, não aconselhe o uso de fones de ouvido, justamente, para que o corredor fiquei mais atento com o que acontece a sua volta. Corredora e instrutora de defesa pessoal, Julie Barron Morrill nos deu 4 dicas de defesa pessoal para corredores para nos tornar menos vulneráveis ​​a um possível ataque durante uma corrida.

Morril começou a praticar Krav Maga em 2004 em Boston, nos Estados Unidos, e se tornou instrutora certificada em 2014. E seu primeiro trabalho com corredores começou em um seminário de autodefesa para o BostonFit, um grupo de corredores que se preparava para a Maratona de Boston.

“Eu realmente gosto de ensinar os corredores – e as mulheres em particular – porque, embora muitas vezes se sintam vulneráveis, eles têm mais opções e poder do que imaginam”, diz ela. “Além disso, são fortes atletas com muita força em suas pernas, só precisam aproveitar isso para poder se defender.”

Morrill prepara os corredores para qualquer situação que eles possam encontrar através do que ela chama de “hierarquia de opções”. Esse é um sistema de etapas sobre como responder a situações desconhecidas ou perigosas. Eles começam por estar atentos às suas circunstâncias e terminam com a forma de combater um agressor.

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Dicas de defesa pessoal para corredores

1Esteja preparado e alerta

Os corredores devem ter um plano antecipado para a possibilidade de uma interação desconfortável ou um ataque violento. “O corpo não pode ir onde a mente nunca esteve”, diz Morrill. “Você tem que pensar em como reagiria à agressão e não apenas em fuga – esteja à frente.” Praticando – mesmo em sua cabeça – sua resposta, suas ações se tornarão um hábito, permitindo que seus instintos assumam o controle, se for preciso.

“Além disso, é importante estar sempre ciente de seu ambiente e de sua postura”, diz ela. Antes que algo ruim aconteça, saiba onde fica a saída mais próxima ou reconheça as ruas secundárias onde você poderia escapar, se necessário.

E a maneira como te vêem é tão importante quanto a maneira como você enxerga os outros.  “Sua cabeça e olhos estão para cima, seus ombros estão para trás. E isso faz com que você fique maior, já que está mais alto”, explica ela. “É um impedimento. Um agressor não quer atacar alguém que esteja confiante e atento.”

Em segundo lugar, ser vigilante permite que você identifique dicas e pistas para situações e pessoas potencialmente ruins em seu ambiente e isso ativa a sua intuição. “Todo mundo sabe quando é observado. Com a intuição, seus sentidos captam pistas que talvez não tenham entrado em sua consciência”, acrescenta Morrill.

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2Fuja

Quando algo acontece ou você simplesmente sente que pode acontecer, a primeira coisa que Morrill sempre aconselha é sair dali.

“Somos corredores, esse é o nosso super poder – então corra”, diz Morrill. Parece óbvio, mas nem sempre é assim tão fácil – e não apenas porque pode haver algo físico que o pare. Fugir de uma situação com a qual você não se sente confortável pode parecer algo grosseiro ou ofensivo, algo que a maioria das mulheres está condicionada a evitar.

Em suas aulas, Morrill fala sobre a ideia de se dar permissão mental para ser mau ou ofensivo. Dessa forma, quando você fica desconfortável, não tem medo de reagir.

3Use sua voz

“Se você está encurralado ou não pode correr, grite bem alto: ‘Sai de perto'”, diz ela. Se o agressor ficou com raiva ou se sentiu ofendido porque esbarrou nele ou o cortou, tente acalmar a situação. “Vá devagar e diga: ‘Sinto muito, acalme-se'”, diz Morrill.

Mas se o interesse deles em você não é porque você os ofendeu, você tem que ser o animal mais assustador, de acordo com Morrill. Porque é preciso prática para realmente gritar com alguém. Morrill tem exercícios em suas aulas em que as pessoas praticam gritos em seu rosto. “Eu morei em Boston por 20 anos – posso aguentar”, diz ela.

Outra técnica que ela usa é gritar uma frase incompreensível como: “Onde está minha manteiga de amendoim?”. Isso ocorre porque a fala exige um nível mais alto de função cognitiva do que as ações físicas mais básicas associadas a uma resposta de “luta ou fuga”, forçando o atacante a pensar mais. Dessa forma, você consegue algum tempo para você escapar. Para isso, é importante ter uma frase em mente com antecedência e, até mesmo, praticá-la, porque você estará sob muito estresse e vai ter dificuldade em fazer algo novo.

4Revide

Este é o último recurso, segundo Morrill. Como muitos ataques começam com um puxão por trás ou uma tentativa de empurrar ou desequilibrar você, o primeiro passo é se concentrar em sua postura para evitar ser derrubado. Esse é o objetivo do agressor. Para faze isso, dobre os joelhos com um pé ligeiramente à frente do outro e o tronco sobre os quadris. Seu pescoço deve ficar comprido com o queixo ligeiramente encolhido. Já os cotovelos devem estar para cima e dobrados, para que seus antebraços emoldurem seu rosto.

“Quando as coisas ficam físicas, eu ensino quatro armas principais”, diz Morrill. “Como socar, chutar, usar os joelhos e os cotovelos.”. Você só quer causar dor ou confusão suficientes em seu agressor para conseguir fugir.

“Krav Maga é projetado para todos os tipos de corpo, então as mulheres não estão em desvantagem”, diz Morrill. “Além disso, não é um esporte. É sobre sobreviver e nunca desistir.”, explica. Isso significa que não há regras – além de fazer o que for preciso para fugir.

Abaixo estão quatro movimentos do Krav Maga que Morrill diz que podem ajudá-lo a se proteger se você tiver problemas.

Golpe de cotovelo

Os cotovelos são pontudos, duros e capazes de se mover em várias direções – para trás, para frente, cruzados, para cima e para baixo -, tornando-os a arma favorita de Morrill. É a melhor opção quando você não consegue estender totalmente os braços ou as pernas.

Se alguém te agarrar por trás, pegue o seu cotovelo e faça um arco atrás de você para acertá-lo no rosto. Para tirar o fôlego, coloque o cotovelo de volta no esterno ou no estômago.

Golpe com o joelho

Use partes duras do seu corpo contra partes macias e carnudas do agressor. Isso significa ter como objetivo o estômago, virilha, nariz, garganta e parte interna da coxa. Dessa forma você vai machucar a outra pessoa, não você.

Por exemplo, se alguém te pegar pela frente ou se você estiver segurando algo em suas mãos, bata na parte inferior do corpo com o joelho. “Chute sem estender a perna e aponte com a parte de cima do joelho”, diz Morrill. “E como as mulheres têm menos massa, use suas pernas e seu core para obter essa força.”

Golpe com a mão

Se houver algum espaço entre você e seu atacante, um soco pode ser eficaz e poderoso. “O truque não é colocar o polegar sob os dedos”, explica Morrill. “Mantenha apertado perto de seus dedos, então mantenha um pulso reto e articulação perpendicular ao chão enquanto você soca com os dois dedos de topo.” Ela acrescenta que se você não está acostumado a bater com o punho, você deve tentar golpear com a parte debaixo da da palma da mão – pode ser mais fácil.

Morrill diz que, seja usando o punho ou a palma da mão, o mais importante é trazer a força desde a parte inferior do corpo. “O poder de um soco vem do chão”, ela aconselha. “Empurre com seus pés, quadris e core para que sua mão voe com a força de todo o seu corpo.”

Chute baixo

“Somos conhecidos por nossos devastadores chutes na virilha”, diz ela. Use a parte superior do pé para o meio da canela. “Essa é a parte mais dura, para causar o maior dano ao seu agressor e não machucar os dedos dos pés”, diz Morrill.

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