Energético faz mal para o coração, sugere novo estudo

Por Elizabeth Millard, da Runner's World US

Foto: Shutterstock

São duas da tarde e você já está caindo de sono, mas tem um treino de velocidade marcado para depois do trabalho. Tomar um energético pode ser a chave para deixar o cansaço de lado e garantir um ânimo extra, certo? Na verdade, não é bem por aí. Um pequeno estudo publicado no Journal of American Heart Association sugere que as bebidas energéticas com cafeína podem elevar a pressão arterial e até mesmo alterar temporariamente o sistema elétrico do seu coração. Sim, energético faz mal à saúde, de acordo com essa pesquisa.

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Pesquisadores recrutaram 34 pessoas saudáveis ​​com idades entre 18 e 40 anos e as dividiram em dois grupos – um que consumia bebidas energéticas com 304 e 320 miligramas de cafeína, enquanto o outro tomava uma espécie de placebo de água gaseificada, suco de limão e aroma de cereja.

Os participantes ingeriram cerca de um litro em três dias e tiveram a atividade elétrica de seus corações e a pressão sanguínea medidas. Eles foram examinados antes do consumo, duas vezes na hora em que estavam bebendo e quatro horas depois de beber.

Beber energético faz mal para o coração? Resultados

Comparado ao grupo do placebo, os participantes da bebida energética mostraram intervalos QT mais altos – ou seja, o tempo que as câmaras inferiores do coração levam para se contrair – até quatro horas depois da ingestão. Intervalos muito curtos ou longos podem causar arritmia, uma condição em que o órgão bate de forma anormal.

O grupo do energético também teve um aumento significativo na pressão arterial sistólica e diastólica, observaram os pesquisadores. A média foi de uma elevação de 4,6 a 6,1 milímetros de mercúrio (mmHg) na sistólica (o número mais alto) e de 3,5 mmHg na diastólica (o número mais baixo).

A pressão arterial normal é de 120/80 mmHg. Para ser considerada “elevada”, basta passar de 129/810 – algo que certamente pode ser possível com algumas bebidas energéticas.

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Os poréns

O estudo tem algumas limitações, como a pequena amostra de pessoas. Mas também há a questão de como os ingredientes trabalham juntos para causar os resultados encontrados. Os pesquisadores sugeriram que a cafeína não é a culpada, mas eles ainda não sabem qual seria o papel dela quando combinada com substâncias como aminoácidos, açúcares, vitaminas do complexo B e guaraná – um estimulante por si só.

De acordo com o principal autor do artigo, o professor da University of the Pacific Sachin Shah, a amplitude das mudanças elétricas no coração foi leve.

Mas mesmo que os efeitos sejam temporários e não sejam suficientes para causar choques maiores no músculo, consumir grandes quantidades do líquido – especialmente em um curto período de tempo, como no mesmo dia – deve ser evitado, diz Shah. Principalmente para aqueles com problemas cardíacos ou que tomam certos medicamentos (pessoas com síndrome do QT longo, hipertensão e que consomem antiarrítmicos e certos antibióticos). Idosos e crianças também devem evitar os energéticos.

A Organização Mundial de Saúde vai mais além, e considera o líquido um perigo em potencial para a saúde pública. Isso pode fazer com que você pense duas vezes antes de partir para a segunda latinha – ou até mesmo para a primeira – da bebida.

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