Cortisona: saiba por que as injeções não são tão milagrosas

Por Amanda Brooks, da Runner's World

injeção de cortisona
Foto: Shutterstock

É provável que você já tenha ouvido falar da cortisona. Ela é um esteroide sintético similar à versão natural produzida pelo corpo que reduz a inflamação e alivia a dor. Seus resultados podem durar de seis semanas a seis meses. Isso depende da força da injeção e de como seu corpo metaboliza a substância, segundo Jordan D. Metzl, especialista em medicina do esporte no Hospital de Cirurgias Especiais de Nova York (EUA).

As injeções desse medicamento estão em alta. Primeiro porque muitos planos de saúde cobrem doses de cortisona. Em segundo lugar, porque métodos para tratar lesões se propagam entre corredores lesionados. Mas, embora a cortisona seja uma intervenção eficaz no curto prazo, “ela não proporciona o tratamento necessário para corrigir desequilíbrios musculares, biomecânicos ou qualquer outra coisa que possa ser a verdadeira causa da lesão”, explica o ortopedista norte-americano Lorenzo Gonzalez. É aí que começa o problema.

O risco das injeções de cortisona

Um estudo publicado na revista científica The Journal of the American Medical Association descobriu que tomar injeções de cortisona nas articulações do joelho a cada três meses durante um tempo total de dois anos resulta em uma significativa perda de cartilagem e em nenhuma diferença significativa na dor em comparação a injeções de placebo. “Injeções múltiplas nas articulações atacam os tecidos moles, desgastam a cartilagem, rompem as estruturas de colágeno e enfraquecem os tendões. Isso faz com que eles já não possam transmitir com eficiência a carga dos músculos nas articulações”, conta Lorenzo.

“Embora doses de cortisona sejam anti-inflamatórias tanto para músculos como para articulações, para funcionar adequadamente, elas têm que ser usadas corretamente”, acrescenta Lorenzo. Por exemplo, se você estiver tratando uma fascite plantar, injeções podem causar problemas de longa duração, como a perda do amortecimento natural do calcanhar, porque o esteroide atrofia a gordura.

Recuperação pós-treino: veja técnicas e cuidados relevantes 

“Eu não recomendo mais de uma injeção de cortisona ao ano em articulações. Além disso, só a aconselho de forma conjunta a um trabalho de fortalecimento muscular focado no causador subjacente da dor”, diz Jordan. Ele descobriu que a cortisona pode ser uma ferramenta eficaz para diminuir a inflamação e permitir que o lesionado comece um programa de recuperação da estabilidade, força e mobilidade articulares. Portanto, em vez de retornar aos treinos assim que a dor for embora, Jordan recomenda focar nas causas subjacentes e voltar aos poucos para evitar recaídas.

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