Por que me lesiono sempre do mesmo lado?

Com qual perna você corre? – Parte 2

Foto: shutterstock.

Tinha prometido que falaríamos de cadência neste post. Porém, na página da Runner’s World no Facebook, muitas pessoas responderam a pergunta título do post anterior dizendo correr mais com a perna direita ou esquerda.

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A mensagem do post era que a perna de apoio, não a de oscilação, é aquela que cumpre a função de correr que envolve sustentar e propulsionar o corpo.  Mas, por mais estranho que possa parecer, as respostas dos leitores no Facebook não são absurdas. Mais uma vez, óbvio que corremos com as duas pernas.  Porém, algo levou estes leitores a perceberem que correm com uma perna mais do que com a outra.

O estudo da lateralidade humana é algo mais complexo do que parece. O mundo não se divide em 90% de destros e 10% de canhotos definidos apenas pela mão com que se escreve. Há uma série de variações possíveis de habilidades maiores num lado do corpo que em outro.

Alguns estudos mostram que desde que o homem assume a postura em pé ele passa a ter uma preferência manual para pegar e manipular objetos. Outros dizem já encontrar preferências manuais em recém-nascidos. Nas pernas também se observam diferenças, sendo uma delas mais especializada em sustentação e a outra em propulsão e exploração do meio. E a corrida, que a princípio parece uma atividade simétrica, pois as duas pernas fazem o mesmo movimento, na verdade espelha a assimetria natural do corpo humano.

Normalmente, os destros tem preferência por impulsionar o corpo com a perna direita e se sustentam melhor com a esquerda. Na maioria dos casos, a diferença é pequena e imperceptível a um observador desatento, mas, em outros casos, ela pode ser gritante e necessitar de correções. Já perceberam que algumas pessoas têm um histórico de lesões sempre do mesmo lado?

Isto pode ocorrer justamente por conta dessa assimetria, que é capaz de causar uma sobrecarga das estruturas sustentadoras de peso na perna mais responsável pela sustentação. Mas pode também ocorrer o contrário, e a perna menos hábil em sustentar falha nesta tarefa gerando desalinhamentos biomecânicos.

Isso, especificamente, é papo para profissionais da área debaterem. Mas para corrigir uma assimetria, vamos novamente simplificar: não pense na diferença, foque em fazer igual nas duas pernas. Faça com que as duas pernas empurrem o chão para trás com a mesma força e no mesmo ritmo.

Até a próxima. Cresce!

CassioCássio Siqueira é supervisor de fisioterapia do esporte do curso de fisioterapia da USP e fisioterapeuta da Care Club, onde trabalha com reeducação funcional de corredores. É formado em fisioterapia na USP, com especialização em fisioterapia no esporte e fisioterapia em neurologia, mestre e doutorando em ciências da reabilitação também pela USP.

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