Pílulas anticoncepcionais podem proteger seus joelhos de lesão?

Por Elizabeth Millard, da Runner's World US

Foto: Shutterstock

Casos de rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) – atrás do joelho  – são mais comuns em mulheres do que em homens. Aparentemente, segundo pesquisas essa diferença está ligada à produção do estrogênio. Por isso, agora, um novo estudo sugere que pílulas anticoncepcionais podem proteger os joelhos de lesão.

De acordo com alguns estudos, rompimento do ligamento cruzado anterior podem ser mais comuns em mulheres por conta de receptores de estrogênio presentes no LCA. Esse hormônio pode causar o aumento da elasticidade e relaxamento desse ligamento. Durante a ovulação, quando os níveis de estrogênio estão mais altos, esse relaxamento do LCA pode ser maior. Uma torção mais séria, e adeus ao ligamento.

Mas contraceptivos orais como pílulas anticoncepcionais inibem esse pico de estrogênio. E isso pode garantir menor risco de ruptura do LCA a atletas do sexo feminino. É o que sugere um novo estudo publicado no Physician and Sportsmedicine.

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Pílulas anticoncepcionais podem proteger os joelhos de lesão?

Pesquisadores da Brown University analisaram dados de dez anos de 165.748 pacientes de uma seguradora. Nessa análise, descobriram que os contraceptivos orais pareciam ter algum tipo de efeito protetor, especialmente entre as adolescentes.

No geral, as mulheres de 15 a 49 anos que faziam uso de pílula anticoncepcional tinham  18% de chance a menos de precisar de uma reconstrução do LCA do que aquelas que não usavam contraceptivos orais. A redução foi maior em mulheres mais jovens: as de 15 a 19 anos tiveram 63% menos chances de precisar de cirurgia reconstrutiva após a lesão do LCA em comparação com adolescentes que não tomaram a pílula.

Mas o estudo tem algumas limitações. Segundo o pesquisador Steven DeFroda, do departamento de cirurgia ortopédica da Brown University, esse é um exame retrospectivo de um banco de dados de sinistros de seguros. Portanto, está sujeito a falhas, como erros na codificação de cirurgias ou medicamentos. Além disso, é mais observacional do que causativa; isso significa que não é possível dizer com certeza que foram os contraceptivos orais que as deixaram menos vulneráveis ​​a lesões do LCA.

Mas mesmo assim o estudo trás resultados integrantes. Sobretudo por vários estudos semelhantes que também encontraram uma redução potencial de risco de lesão do LCA em atletas que tomam contraceptivos orais.

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Calma. Mais pesquisas precisam ser feitas para determinar se esses anticoncepcionais realmente ajudam a modificar o risco de lesão do LCA. E, em caso afirmativo, quais tipos de lesões são mais reduzidos.

Além disso, o esporte que você pratica também pode contribuir no caso lesões. DeFroda observou que corredoras têm com um risco menor de rompimento do LCA quando comparadas com quem pratica um esporte que envolve mais torções e movimentos laterais, como futebol ou basquete.

Mas a repetição e o movimento da corrida podem fazer as mulheres se lesionarem, segundo o treinador Holly Perkins. Além disso, quem faz cross-training pode ter problemas devido a exercícios de pliometria ou outro treinamento de salto. Embora o treinamento cruzado seja uma boa idéia para desenvolver mais força e resistência.

Por isso, pode valer a pena conversar com seu médico sobre suas opções. Perkins sugere ainda aumentar a variedade de treinamento. “É importante treinar o corpo em vários padrões de movimento e fortalecer as pernas com vários exercícios direcionais”, reforça a especialista.

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