Por que dormir mal dá mais fome no dia seguinte?

Por Eizabeth Millard, da Runner’s World US

Dormir mais dá mais fome ou faz a gente comer alimentos mais calóricos? Um novo estudo parece ter encontrado a causa
Foto: Shutterstock

Existem inúmeros estudos que comprovam a relação entre a baixa qualidade do sono e um maior desejo por alimentos nada saudáveis. Mas por que exatamente dormir mal dá mais fome no dia seguinte? Segundo a ciência, isso acontece porque quando seu corpo é privado do sono por muito tempo, o cérebro anseia por mais alimentos ricos em calorias como uma forma de se manter acordado. 

Contudo, de acordo com uma nova pesquisa, não é apenas o seu cérebro que influencia nas suas escolhas alimentares: o nariz também pode fazer com que você coma mais quando está com sono. 

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Como a pesquisa foi feita

Publicado no eLife, o estudo recrutou 29 homens e mulheres, com idades entre 18 e 40 anos, e os dividiu em dois grupos. Ambos se revezaram na seguinte rotina de sono: dormiam normalmente durante quatro semanas, e depois, por uma noite, só podiam descansar quatro horas. 

Depois de cada noite, era oferecido a eles ou um café da manhã convencional, ou uma variedade de lanches e snacks. Ao mesmo tempo, os cientistas rastrearam o que e quanto cada voluntário comeu. Antes de cada refeição, os participantes eram submetidos a ressonâncias magnéticas. E apresentados a vários cheiros diferentes (de comida ou não) para que suas atividades cerebrais fossem rastreadas. 

Dormir mal dá mais fome ou faz com que a gente escolha alimentos mais calóricos? Resultados

Houve mais atividade na região do córtex piriforme — a parte do cérebro que recebe informações do nariz — quando o sono foi privado. As pessoas também comeram mais alimentos ricos em calorias — como rosquinhas, biscoitos de chocolate e batata frita — depois das noites mal dormidas. 

“Pesquisas anteriores mostraram que a privação do sono leva a mudanças no tipo de alimento que as pessoas comem. E que problemas crônicos de sono estão ligados à obesidade”, disse o autor do estudo Thorsten Kahnt, professor-assistente de neurologia da Northwestern University Feinberg. “A principal descoberta do nosso estudo é que essa relação, pelo menos em parte, pode ser explicada por mudanças na maneira como o cérebro responde aos odores dos alimentos quando estamos com sono”.

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Possíveis conclusões

É possível que isso esteja relacionado ao sistema endocanabinóide, responsável por regular a maneira como outros sistemas funcionam. Isso é feito através de uma série de neurotransmissores e receptores localizados em todo o corpo. E afeta uma variedade de processos cognitivos e fisiológicos. Desde a função pulmonar, modulação da dor e até resposta do córtex piriforme a certos aromas.

“Certas funções endocanabinóides são aprimoradas quando as pessoas são privadas de sono”, disse Kahnt. “E isso está relacionado às mudanças na ingestão de alimentos e como o cérebro processa os odores quando cansado”.

O estudo tem limitações, especialmente o tamanho pequeno da amostra e seu breve período. Afinal, os sujeitos tiveram apenas uma noite de sono encurtado.

Mas Kahnt disse que a grande quantidade de pesquisas que relacionam a privação do sono e más escolhas alimentares deve ser suficiente para convencer alguém a prestar atenção em seus hábitos de sono. Ou então a evitar passar em frente a uma padaria pela manhã.

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