Ela sempre ela

Galera, já deu. Ninguém aguenta mais falar sobre pipoca. Inclusive eu. Mas ela persegue justamente quem mais a condena. Primeiro, vem o amigo se vangloriando de ter corrido junto com o coleguinha, “para dar uma força”. Depois, aquele que JURA que nunca pegou um copinho d’água. E os cheios de razão? “Só fiz o último trecho com ele”. Opa! Peraí… fez o último trecho? Ah! E eu treino todo dia em frente à minha casa, vou deixar de treinar porque tem prova passando? Quem paga meu IPTU sou eu!!! Você já sabe, certo? Cada um tem sua “justificativa”.

Como ainda não fundaram a IPA, “International Popcorn Association”, até porque o termo em inglês para quem corre provas sem pagar é “bandit” – isso mesmo o que você achou, nem preciso traduzir – vou deixar aqui as minhas impressões sobre a chamada “área cinza”, ou seja, as possíveis exceções. E vejam bem, não adianta virem me atacando, até porque eu sou bem radical quanto à prática. Vou apenas reproduzir coisas que eu vejo ao redor e me posicionar. A discussão – e o choro – é livre. Se um dia a IAAF, sigla para a Federação Internacional de Atletismo emitir um decreto e ele virar lei válida e aceita em todas as provas de rua do mundo e, lógico, do Brasil, teremos um veredicto final. Até lá, mesmo não querendo, vale exercitarmos um pouco do nosso bom senso e trocar sobre o assunto.

A regra geral, todo mundo sabe: pagou, corre; não pagou, não corre. Na minha opinião, se você quer correr com o amigo, namorada, sogra, amante, cachorro, não interessa com quem, tem que pagar a inscrição. Não tem essa de correr só um trechinho para “encaixar o pace” do coitado. Você vai ocupar espaço de quem pagou. Simples assim. E, na maior parte das vezes, se beneficiar de estar correndo em um espaço protegido, delimitado e controlado que alguém – a organização – arcou com esse custo. E pode parar com a lenga-lenga de que as provas são caras e blá, blá, blá. Quer protestar? Não pague e não corra. Simples e honesto.

“Ah, mas eu sou o técnico dele e tinha que fazer a prova para garantir que ele fizesse direito”. Quer babá, amigo? Pague por ela. Se todo mundo resolver levar um chegado para “ajudar”, virou zona. Pista cheia. Esbarrões. Do jeito que tem estado, como você corredor tem visto.

Agora, tem atenuantes. Se você mora em algum trecho por onde passa a prova, não tem que dar a volta onde Judas perdeu as botas para não passar pela área da corrida. Aí é palhaçada. Radicalismo insensato. Da mesma maneira, as provas que são realizadas nas orlas das grandes cidades brasileiras. Tem lugar que todo mundo treina ali. E aí? Evita, muda o percurso só nesse dia, na pior das hipóteses corre ao contrário se tiver um cantinho para isso – e olhe lá! Isso é ter coerência e respeito. Se estiver apertado e você tiver que entrar junto aos corredores, se toque e não corra. Faça cedo, antes da prova começar ou depois. “Ah, mas aí faz calor!”. Paciência. Corra à noite ou no dia seguinte. Mas respeite o espaço de quem pagou para estar ali na melhor condição possível.

Prefiro acreditar, é claro, que ninguém “fila” a hidratação da prova, certo? Afinal, somos um povo evoluído. Ninguém anda de carro no acostamento, para no meio da rua para esperar o amigo que sai do prédio, pega senha para outra pessoa, guarda lugar, dá uma “ajudinha” para o moço da repartição, essas coisas. Correr com o número do amigo? Nuuuuuuuuunquinha! Corredor tem ética irretocável. Ou não? Se queremos um país mais limpo, temos que fazer o mesmo pelo nosso esporte. E os comentários educados são mais que bem-vindos.

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