Projeto Sexto Sentido

Equipe, composta por oito corredores com deficiência visual, será uma das participantes dos 140 km do Revezamento Volta à Ilha

Foto: Arquivo Pessoal/Projeto Sexto Sentido.

A 22ª edição do Revezamento Volta à Ilha será já no próximo sábado (8). E entre as equipes está a do Projeto Sexto Sentido, que contará com oito corredores com deficiência visual para completar os 17 trechos e 140 km da prova. Um deles é Gilmar Amaral. Atleta de goalball, ele começou a correr em 2009 e fez sua estreia em provas justamente na Volta à Ilha. “Foi um pedido de um amigo. Faltou um cara no grupo e ele falou que eu tinha que completar. Desde então corri todas e, como eu já sabia que tinha intimidade com a corrida, a prova me incentivou a não parar mais. Já corri maratona, meia e outras provas de trilha”, conta.

Em 2017, ele está escalado para o Morro do Sertão, considerada a parte mais difícil dos 140 km. “Eu já fiz o Sertão duas vezes, é um percurso bem difícil devido à distância e altimetria. Tem que estar bem preparado”, explica.

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Outro membro da equipe é Marco Laurindo, que destaca a importância dos guias na prova. “O trecho da Cachoeira do Bom Jesus é um dos mais difíceis em termos de acessibilidade e nele eu preciso confiar muito no meu guia para poder me soltar. A sintonia entre a dupla é fundamental”. E sintonia não falta com sua guia e esposa Rosangela Alexandre, com quem treina há dois anos. “Treinamos quase todos os dias e, no caso do guia, ele fala mais do que corre, pois precisa me falar tudo que está ao meu redor, ainda mais em trilha. Por isso esse entrosamento é tão importante”, acrescenta Marco, que perdeu a visão aos 22 anos após um acidente de carro em Florianópolis.

Fábio Luís Charneski, mais conhecido como Popeye, é coordenador do projeto há quatro anos. Para ele, o sucesso do grupo está na vivência entre os atletas. “Estamos nessa desde 2008 e ao longo desse tempo fomos descobrindo e aprendendo com os nossos erros. O desafio está também na logística. Saber onde cada um vai correr, quais as dificuldades de cada trecho. Outra coisa é prover a estrutura, pois são oito atletas, oito guias e mais alguns no apoio. Precisamos de um ônibus, dois carros, hidratação. Com o passar do tempo, fomos criando nossa forma de trabalho para melhorar a cada ano”.

Foto: Arquivo Pessoal/Projeto Sexto Sentido.
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