Após quebrar o pescoço, Tim Don estará no Mundial de Kona

Por Sara Lindberg, da Runner's World

Foto: Andrew Hinton

Um ano atrás, Tim Don estava participando de um de seus últimos treinos da preparação para o Ironman World Championships de 2017 em Kona, no Havaí.

Tim Don vinha de um recorde no Campeonato Sul-Americano de Ironman no Brasil em maio, onde, aos 39 anos, quebrou o recorde mundial por quatro minutos.

Seu tempo de 7:40:23 fez dele o mais rápido triatleta de Ironman de todos os tempos.

Mas, durante o treinamento, ele de repente colidiu com um veículo.

O impacto do acidente quebrou uma vértebra em seu pescoço, deixando-o de fora não só do Campeonato Mundial.

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Recuperação

Durante os dias e semanas que se seguiram, Tim Don teve que tomar uma decisão crucial.

A cirurgia no pescoço era uma opção, mas esse procedimento limitaria sua amplitude de movimentos em longo prazo.

Sabendo que isso afetaria seu treinamento e, em última análise, seu retorno à competição, Don decidiu usar uma cinta que impede que o pescoço e a coluna se movam enquanto a lesão cicatriza.

O anel, ou “halo”, que gira em torno da cabeça, está preso ao seu crânio por alfinetes e se conecta por meio de varetas a um colete rígido usado sob suas roupas. Ele teve que usar o aparelho por três meses.

Nos quatro meses seguintes, Don enfrentou uma recuperação difícil. Contou com sua esposa Kelly para completar até mesmo as tarefas mais básicas, como se vestir, tomar banho e fazer a barba.

Ela até limpou a área em torno de seu halo, onde os pinos foram enroscados na testa para ajudar a prevenir e reduzir a infecção.

Uma dose pesada de remédios foi necessária para controlar a dor. Mas, quando a dor começou a diminuir e ele conseguiu se livrar dos analgésicos, Don estava determinado a voltar à sua vida antes desse trágico acidente.

“Desde os 14 anos, minha vida tem sido sobre alta performance”, disse Don ao Runner’s World por telefone.

Então Don contatou seu fisioterapeuta, John Dennis, para ajudar a desenvolver um plano de reabilitação.

A terapia foi intensa, o que forçou Don a confiar em sua determinação mental. “A gravidade da lesão e o que poderia ter acontecido mudaram realmente minha perspectiva”, disse ele.

“Eu ainda estava vivo e tive a chance de uma recuperação completa.” Antes que ele pudesse pensar no Mundial de Kona, ele tinha outro objetivo nas sua lista de recuperação.

Foto: Andrew Hinton

O retorno de Tim Don

Don queria correr a Maratona de Boston – o que na verdade seria sua primeira tentativa de uma maratona “pura”, fora de um evento de triatlo.

“Estava de volta ao básico, na verdade”, disse Don sobre seu treinamento, que durou cerca de oito semanas.

“Eu tinha perdido muita força e massa muscular na parte superior do corpo. Assim como aptidão que eu realmente precisava para começar desde o início.”

Don começou com corridas no AlterG – uma esteira antigravidade usada para reabilitação – antes de ir para a esteira tradicional.

Para proteger o pescoço, ele usou um colarinho macio por cerca de um mês depois de o Halo sair.

A reabilitação – e o treinamento – foi um sucesso. Apenas seis meses após seu acidente quase fatal, Don terminou a Maratona de Boston em 2:49:42.

Sua história de triunfo após a tragédia se espalhou pelos círculos de maratona e triatlo. Foi inclusive produzido um documentário de 30 minutos chamado The Man with the Halo, que narrava sua corajosa jornada.

Agora, em 13 de outubro, Don estará novamente no Mundial de Kona.

“Quando você sai de um momento ruim, você está um pouco mais forte do que antes”, disse Don. “Eu ainda quero competir no mais alto nível.”

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