Saiba quais os cuidados para correr sob o sol sem colocar a saúde em risco

Por Patricia Beloni

correr debaixo do sol

Para alguns corredores, correr debaixo do sol forte ajuda a superar os limites do corpo e aumentar a resistência. Outros correm nessas condições unicamente por falta de opção. Mas algo é inegável: o sol traz diversos benefícios para o corpo. Ele estimula a produção de vitamina D – importante para os ossos e os músculos – e a liberação de endorfina e serotonina, hormônios que proporcionam a sensação de bem-estar. Entretanto é preciso tomar alguns cuidados para colher apenas os benefícios.

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Exposição ao sol e o risco de melanoma

Um dos três tipos de câncer de pele é causado diretamente pelos raios ultravioletas emitidos pelo sol (mesmo fora do verão). Chamado de melanoma, ele atinge pessoas que já possuem uma propensão genética a desenvolver câncer (se alguém da família teve algum tipo de tumor, então o risco já existe). “Se a pessoa já tem essa predisposição e não se cuida, não se protege do sol, não usa filtro solar, é só uma questão de tempo até ela desenvolver a condição. Por isso é preciso atenção redobrada com a exposição solar”, explica o dermatologista e corredor amador Joaquim Mesquita, coordenador da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Em geral, o melanoma costuma surgir em adultos mais jovens, por volta dos
30 anos. Nos homens, ele aparece no tronco, enquanto que nas mulheres a parte mais sensível são as pernas. Quem tem pele clara que fica vermelha com facilidade (e dificilmente se bronzeia) corre mais risco, assim como quem pratica a corrida debaixo de sol com frequência. “Essas pessoas precisam ter um cuidado mais do que redobrado”, explica o especialista.

Mas isso não significa que aqueles com um tom de pele mais escuro não desenvolvam a condição. Joaquim lembra do caso de Bob Marley, que teve melanoma de extremidade (embaixo da unha do dedo do pé). Na época, os médicos acharam que era um hematoma, e só depois de três meses resolveram fazer a biópsia. Quando descobriram que era um câncer de pele, decidiram pela amputação do membro, mas o cantor se recusou. Foi quando o melanoma se disseminou e o levou à morte.

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Atenção aos sinais

O melanoma surge como uma mancha geralmente escura. Pode ter a aparência de uma pinta, e ele só é diagnosticado como  câncer de pele quando começa a alterar suas características. A pinta cresce (mais de 6 mm), muda a forma, a cor aparenta ter dois ou mais tons, aumenta de diâmetro, se torna assimétrica e/ou apresenta bordas irregulares. Segundo Joaquim, já é possível identificar o câncer de pele em um terço das pessoas só com esse sinal.

O mais difícil de identificar é o melanoma amelanótico. “Nesse caso, a mancha tem pouco pigmento e a coloração é ‘vermelha sangrenta’”, explica o especialista. Por isso é importante sempre estar atento ao próprio corpo. Qualquer sinal diferente que aparecer, o ideal é procurar logo um médico. Isso porque, apesar de ser um dos cânceres mais raros, também é um dos mais agressivos. Ele pode se desenvolver precocemente e sair do seu ponto de manifestação inicial, se espalhando para o resto do organismo e atingindo outros órgãos do corpo, como o coração e o cérebro – no processo conhecido como metástase.

E o seu tratamento não é nada simples. Consiste em um procedimento cirúrgico se for detectado na fase inicial, em conjunto a terapias adjuvantes para evitar o retorno do tumor. Em casos mais avançados, além de tirar o melanoma, pode ser necessário amputar o membro e fazer quimioterapia. Mas Joaquim alerta que a chance de reincidência é muito alta, então é importante sempre ficar atento.

Cuidados para correr debaixo do sol

Horário

De acordo com o dermatologista Joaquim Mesquita, de 49 anos, corredor desde os 15 anos, não tem jeito: correr à noite é a melhor estratégia. E, se não for possível, o ideal é escolher horários em que a incidência solar seja menos agressiva. Nas primeiras horas da manhã (antes das 8h) ou no fim da tarde. Isso porque existem dois tipos de radiação solar, um mais cancerígeno que o outro, e o mais perigoso tem seu pico por volta do meio-dia.

Filtro solar

Independentemente do horário em que for correr, é indispensável o uso de filtro solar, especialmente aqueles criados para a prática de atividades físicas. Segundo Joaquim, o fator de proteção tem que ser de pelo menos 60, e é preciso reaplicar o produto depois de 2h – ou até antes se a pessoa suar muito. “Também é imprescindível passar o filtro solar na orelha e nas pernas. Em corridas mais longas, como uma meia maratona ou maratona, em que a exposição solar é muito intensa, é preciso reaplicar o filtro solar durante a prova”, alerta.

Roupas e acessórios

Não é preciso correr de calça e camiseta de manga comprida, principalmente no calor. De acordo com o dermatologista, o importante mesmo é focar no uso do protetor solar e se lembrar de usar viseira (já que o cabelo é uma forma de proteção) ou boné. Se puder usar roupas e acessórios com fator de proteção no tecido, melhor ainda.

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