Eliud Kipchoge: perto do limite?

A barreira das 2h vai cair?

Foto: Reprodução/NN Running Team

Kipchoge chegou sobrando para bater o Recorde Mundial da Maratona agora em Berlim. Voando a 21km/h não dava sinais de cansaço, não parecia fazer esforço e ao cruzar a linha de chegada deu mais um sprint para abraçar seu treinador. Sobrou.

Dava pra mais? A barreira das 2h vai cair?

Acredito que vá.

A performance humana é determinada por uma série de fatores biológicos e ambientais.

Mas o que me chama a atenção no Kipchoge são duas coisas. Poucos erros mecânicos e maior massa muscular de tronco e braços.

Os fundistas de elite sempre se caracterizaram por boa genética e muito treinamento baseado no “motor” (fisiologia e cabeça pra aguentar as provas longas). Mas no pelotão de elite é mais comum vermos movimentos inadequados de corrida do que exemplos de boa mecânica. E motor bom num carro com rodas desalinhadas e pneus carecas não adianta muito. Vai gastar mais gasolina.

O Kipchoge se destaca neste quesito. Bom motor e bom alinhamento.
E isso trás boa performance e melhor proteção contra lesões. Acredito que ele ainda possa melhorar sua marca porque chegou sobrando e porque com menos risco de lesões, pode treinar mais.

Para os outros atletas resta o consolo de que, se já têm boa performance com mecânica não tão boa, eles têm mais a ganhar ao aprimorar seus movimentos.

E quanto à maior massa muscular de tronco e braços, uma especulação minha sem conhecer sua rotina, é que talvez estejamos observando uma mudança de paradigma no treinamento. Sempre se frisou que os fundistas devessem ser leves. Mas para quem corre tão forte, talvez ter tronco e braços mais fortes seja vantajoso mesmo que se tenha que carregar alguns quilos a mais.

Veremos o que vem por aí. Enquanto isso, vou tentar correr 100m no pace dele de maratona.

Foto: arquivo pessoal.

Cássio Siqueira é supervisor de fisioterapia do esporte do curso de fisioterapia da USP e fisioterapeuta da Care Club, onde trabalha com reeducação funcional de corredores. É formado em fisioterapia na USP, com especialização em fisioterapia no esporte e fisioterapia em neurologia, mestre e doutorando em ciências da reabilitação também pela USP.

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