Com menopausa aos 24 anos, ela encontrou vida na corrida

Por Kelly Mclay para a Women's Health US

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Foto: Cortesia de Kelly McLay/Women's Health US

Aos 20 anos você quer fazer algumas loucuras, não é mesmo? Curtir algumas festas, beber – não ter noites de calor e passar por mamografias. Depois de ganhar quase 20 kg em um ano, hibernando e buscando por médicos que pudessem me escutar, o diagnóstico: eu estava entrando na menopausa aos 24 anos. O que explicava o porquê de estar triste, cansada, feliz e sonolenta.

Antes, aos 14 anos, eu fui diagnosticada com hipotireoidismo, o que afetou meu metabolismo e hormônios. No caso, o problema que atacou minha tireóide fez o mesmo com os meus ovários. Nunca vou esquecer o ultrassom que os descreveu como “uvas passas”.

Meu coração partiu junto com o meu corpo

Minha endocrinologista falou que a insuficiência ovariana atinge uma a cada 250 mulheres com problemas de tireoide na fase dos 30 anos e em uma a cada 100 na faixa dos 40 anos. A minha surpresa foi isso acontecer um pouco cedo. Eu sentia como se tudo estivesse girando e eu precisava de um objetivo. Me inscrevi para a Maratona de Boston.

Meu coração partiu junto com o meu corpo. Enquanto minhas amigas evitavam a gravidez, eu estava desesperada tentando me segurar em qualquer rastro de fertilidade. Passei a fazer parte de um grupo de amigas da minha irmã que estavam treinando e, no começo, senti que estava fora de forma.

Menopausa aos 24 anos e uma nova vida

Os primeiros quilômetros foram difíceis. Meus pulmões queimavam, minhas pernas doíam e eu me senti derrotada. Mas correr foi a única coisa que começou a me ajudar a melhorar. Era uma distração que eu precisava da perda que eu sentia e uma maneira de colocar um pé na frente do outro.

Eu fiz a corrida seis meses depois de uma cansativa preparação. E comecei a chorei quando vi a linha de chegada, em Boylston. O peso de vivenciar a menopausa saiu dos meus ombros. Correr me inspirou a ser dona do meu diagnóstico. E eu estava mais confortável e comecei a compartilhar a situação de forma aberta e livre. No final de semana em que conheci John – no casamento do meu colega de quarto quatro anos depois – ele sabia exatamente em que estava se metendo.

Eu provavelmente quebrei todas as regras de primeiro encontro. Mas eu estava na frente da minha luta e o que isso significaria para alguém que está entrando em um relacionamento e deseja ter filhos. Meu futuro parceiro teria que aceitar óvulos de doadores, adoção ou simplesmente viver feliz para sempre, apenas nós dois. Felizmente, após nosso terceiro encontro, nós decidimos dar um salto e morar juntos. (Acabamos nos casando.)

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O desejo de ser mãe

Se a montanha-russa da menopausa me preparou para qualquer coisa, foram os altos e baixos da infertilidade. John e eu decidimos fazer fertilização in vitro usando o óvulo de uma doadora. Enfermeiros disseram que a minha infertilidade foi causada pelo meu estilo de vida ativo, mas isso estava longe de ser verdade. Correr meu deu vida. Com a ajuda da minha equipe médica, eu continuei correndo dias após a nossa primeira fertilização, que foi um sucesso. Na 27ª semana de gravidez, eu completei a minha 49ª maratona.

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Foto: Cortesia de Kelly McLay/Women’s Health US

Onze meses após o nascimento de minha filha em 2016, eu estava em temperaturas abaixo de zero e cumprindo outro objetivo: correr uma maratona em cada um dos sete continentes. Eu me tornei uma das 25 mulheres no mundo a correr sete maratonas nos sete continentes em sete dias.

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Foto: Cortesia de Kelly McLay/Women’s Health US

E treze anos após receber o diagnóstico de menopausa, eu cruzei outro linha de chegada, em Dublin (Irlanda), com meu título favorito absoluto de todos os tempos: “mãe”.

*O relato de Kelly McLay, diagnosticada com menopausa com 24 anos, faz parte do livro Tales from the Trails: Runners’ Stories that Inspire and Transform, que conta história inspiradoras de corredores. Seu depoimento foi publicado – originalmente – na Women’s Health US de setembro.

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