Querer é poder

Fabiana perdeu mais de 20 kg com a corrida e descobriu em si mesma uma mulher mais forte e dona do próprio nariz

Foto: Diego Cagnato.

Por Daniela Fescina

A gerente de consultoria Fabiana Santos, 30 anos, só tinha uma coisa em mente quando começou a correr: as fotos do casamento. Ela queria estar linda nas imagens que eternizariam aquele momento. Então, em 2012, sete meses antes do “sim”, ela passou a treinar três vezes por semana com uma assessoria esportiva. Perdeu 7 dos 85 kg que pesava e chegou mais confiante ao altar, porém recuperou 5 deles na lua de mel em Cancun, no México. “Confesso, não levei a sério como deveria”, ela hoje admite. “O hotel era all inclusive, ou seja, tinha refeições à vontade o dia todo. Pizza, hambúrguer… Imagina como foi, né?”

Mas esse roteiro tomou outro rumo em setembro de 2014, quando uma amiga convidou Fabiana para correr a Meia Maratona do Rio. Ela tinha menos de um ano para se preparar, já que a prova aconteceria no dia 25 de julho de 2015, mas resolveu encarar o desafio. Por indicação da irmã Cristiane, sua maior incentivadora, ela procurou novamente uma assessoria de corrida, dessa vez a MPR, do treinador e colunista da Runner’s Marcos Paulo Reis, e começou a correr de três a quatro vezes na semana.

“Eu cheguei contando que já tinha feito a minha inscrição para a meia maratona e que por isso precisava de ajuda. Meu treinador me olhou com cara de susto”, conta.

Foto: Diego Cagnato.

Aos poucos, Fabiana foi entendendo a importância da evolução gradual nos treinos e também de investir em outras áreas para ter sucesso na corrida. Procurou uma nutricionista esportiva para ajudá-la a ter uma dieta saudável, nutritiva e que desse suporte aos treinos. Só um pedido: não queria abrir mão do vinho tinto.

Fabiana chegou ao consultório com 75 kg e 35% de gordura corporal. Na largada da Meia Maratona do Rio de 2015, dez meses depois, estava com 69 kg e 31% de gordura corporal. Ao cruzar a linha de chegada, depois de 2h30, pensou: “Caramba, fiz isso mesmo? Eu consegui correr 21 km?”. Ela conta que nunca se sentiu tão feliz e realizada em sua vida e que chorou muito ao terminar a prova. “Aquele era um momento de realização porque percebi que poderia conseguir qualquer coisa, desde que eu tivesse dedicação. Ali entendi que tudo só depende de mim e da minha força.”

Foto: Diego Cagnato.
Leia mais:

Um acidente quase custou a vida de Anelive – mas a corrida a fez seguir em frente
Aos 18 anos, João ouviu do médico: só a cirurgia bariátrica salvaria sua vida. Assustado, resolveu mudar de vida

Hoje Fabiana acorda entre 5h e 6h para treinar, antes que os compromissos de trabalho possam interferir em seus planos. E enquanto muitos aproveitam para dormir um pouco mais no sábado, ela levanta às 5h30 para o famoso longão na Universidade de São Paulo (USP). São geralmente duas horas de treino antes de começar o dia. Se antes Fabiana corria no asfalto de cinco a seis vezes por semana, uma canelite apresentou a ela outra modalidade: o deep running, ou corrida na água, que não oferece impacto e mantém o condicionamento enquanto poupa os ossos – esse passou a ser seu esporte duas vezes por semana. “Tudo é questão de prioridade. Mudei minha alimentação, pois passei a ir a uma nutricionista esportiva e percebi o quanto eu comia errado. Minha disposição aumentou muito e hoje sou mais ativa, tenho mais pique e consigo equilibrar melhor a minha vida.”

Depois de baixar o tempo na meia maratona – Fabi fez 2h02 em 2016 –, agora é a vez de encarar os 42 km. Em 25 de setembro, ela e um grupo de 15 amigos, entre eles a irmã e o marido, correram a Maratona de Berlim. Não havia metas de tempo, o objetivo seria concluir a prova e mostrar mais uma vez que ela é capaz. “Quando comecei a correr e estava gordinha, tudo dependia dos outros, até o meu trabalho. Depois que comecei a treinar, percebi que havia uma atividade que só dependia de mim. Assim consegui confiar mais na minha capacidade, e esse foi sem dúvida o maior benefício que a corrida me trouxe”, conta.

SHARE