Tempo de sabedoria

Os 40 nos ensinam a focar na qualidade, tanto na dieta como nos treinos

Ilustração: Davi Augusto.

Por Patrícia Julianelli

Eu custava a entender a precisão na validade dos produtos. O que acontece com as moléculas de um iogurte que a partir das 0h00 do dia 21 de novembro ele se torna impróprio para consumo? Não entrava na minha cabeça. Até eu fazer 40 anos. É impressionante: você vai dormir magra e, pluft, acorda gorda.

A calça quase não fecha, esse aperto dói fundo na alma e você percebe que o bonde desandou. E se aos 15 anos bastavam dias para entrar em forma novamente, agora são necessários meses de sofrência. Por isso, o mais sábio seria encontrar o caminho para manter um corpo bacana sem ter que “fazer dieta”. Bacana, não perfeito. Bacana, mas não necessariamente aquele dos seus 20 anos. Bacana e não o da garota do Instagram. Bacana: aquele em que você se sente confortável, dentro da sua nova realidade de vida.

Especialmente após os 35 anos, nós perdemos massa muscular e o metabolismo fica mais lento. É hora de repensar a dieta. Não é preciso comer menos, mas, sim, investir em alimentos nutricionalmente densos. As mesmas cem calorias devem valer a pena. Por exemplo: em vez de uma barrinha de cereais repleta de açúcar, invista em um punhado de castanhas com frutas secas, que trazem vários nutrientes e vitaminas e ainda têm alto poder de saciedade.

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Deixe que um nutricionista elabore seu plano alimentar – seu e de mais ninguém. Ele vai levar em conta seu histórico de vida e de esporte, seus gostos e estilo de vida. No cardápio, entrarão itens que ajudam a manter a forma, claro, e também a retardar o envelhecimento da pele, a proteger o coração e a visão, entre outras propriedades. A castanha-do-pará, por exemplo, além de fonte de selênio, melhora o funcionamento das papilas gustativas. Ou seja, sentimos melhor o gosto doce e precisamos de menos açúcar. As frutas cítricas são ricas em vitamina C, que auxiliam na regeneração celular. A soja ajuda a manter nossos níveis hormonais estáveis, enquanto o salmão e a sardinha são ricos em ômega 3, que protege o coração.

Do mesmo jeito que na corrida adaptamos as metas de acordo com a idade – passamos a buscar uma classificação legal por faixa etária, novos desafios ou modalidades –, é hora de encontrar um treino que “converse” com sua versão atual. Se a corrida não fala mais com você, procure outra opção de atividade aeróbica. O treino de força, se era coadjuvante, agora deve ser protagonista. Se você fazia três treinos de corrida e dois de força por semana, por exemplo, talvez valha inverter a proporção. Não tem mais duas horas para malhar? Fique feliz se tiver filhos, amigos, emprego e 40 minutos diários. Contrate um treinador que o ajude a otimizar o tempo, como um arquiteto faz com espaços pequenos. Com um treino curto, mas intervalado e intenso, você queima muitas calorias, mesmo após o exercício.

Aos 40, é chegada a hora de focar na qualidade e não na quantidade, tanto nos treinos como na dieta. Afinal, não é isso que fazemos na vida quando ganhamos experiência e ficamos mais espertos?

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