Você corre com o celular?

Como você carrega seu aparelho pode afetar a mecânica da sua corrida

Foto: shutterstock.

Para ouvir música, para utilizar o aplicativo de corrida que contabilizará seu treino, para tirar fotos e postar nas redes sociais, por não querer deixar no carro, por diversos outros motivos e, pasmem, inclusive para fazer ou receber ligações. Muitos não sabem, mas este aparelho já foi usado para isso! Diversas são as razões para se levar o celular numa corrida. Mas isso está certo?

Não vou entrar no mérito da música, se é bom ou não. Vamos falar apenas da biomecânica de quem corre carregando o celular. E tudo vai depender de onde e como você o carrega. Carregar em bolsos do short ou em pochetes justas no corpo pode não ser a coisa mais confortável do mundo, mas não costuma trazer problemas.

Carregar nas mãos ou em suportes nos braços já começa a trazer riscos. É bem possível carregar desta forma e isso não afetar sua mecânica de corrida, mas, em minha experiência, na maioria das vezes atrapalha.

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Experimente correr um pouco com um dos braços travado junto ao corpo, como se estivesse segurando uma folha de papel na axila. Observe o que acontece com o movimento dos braços. O braço livre movimentará em dobro. Ele deverá realizar sozinho o contra-movimento que os dois braços fariam. Agora, observe que não são só os braços que se movem de forma diferente. Um lado do tronco também se move diferente do outro lado. Se reparar bem, talvez as pernas também estejam assimétricas. Isso pode gerar sobrecargas assimétricas no seu corpo, alterar sua performance e predispor você a lesões.

E o celular carregado na mão ou no braço pode ter o efeito de alterar a mobilidade deste membro. Portanto, cuidado. Repare se isso pode estar ocorrendo. Se seus braços estão se movendo diferente um do outro e se há uma forma melhor de carregar o celular sem que isto aconteça. Quanto mais próximo ao eixo do corpo (linha da coluna), a tendência é que seja melhor.

E fique atento também ao fone de ouvido. Algumas vezes, para evitar que eles caiam,  nós alteramos a posição da cabeça na corrida. E já vimos no post “Para onde você olha quando corre?” que a posição da cabeça tem grande importância no controle dos nossos movimentos.

Como curiosidade, já tive um paciente que tinha uma corrida bastante assimétrica. O motivo: um relógio largo no punho. Para que o relógio não balançasse muito ele travava o braço do relógio junto ao corpo. Isso alterou toda a mecânica de corrida dele. Às vezes, detalhes bestas fazem grande diferença.

Até a próxima. Cresce!

Cássio Siqueira é supervisor de fisioterapia do esporte do curso de fisioterapia da USP e fisioterapeuta da Care Club, onde trabalha com reeducação funcional de corredores. É formado em fisioterapia na USP, com especialização em fisioterapia no esporte e fisioterapia em neurologia, mestre e doutorando em ciências da reabilitação também pela USP.